quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os Filhos Do Sol E Da Lua: 6 Minutos De Eterna Magia (Crepúsculo)

Hoje! Não importa o que fizeste
Nem o que deixaste para amanhã
Porque o destino pode ser agreste
E não existir para vós o antemanhã.

Pois nada disso é mais importante
Do que ocorrerá nestes momentos
Deu-se o início do ultimo instante
E o mais misterioso dos tempos.

Nesta hora tudo o que perderam
Pode ser magicamente retribuído
Como tudo o que assim ergueram
Pode ser tragicamente destruído.

Por isso preparai-se minha gente
E manifestai as restantes energias
E aproveitai com graça, sabiamente
Os meus minutos de eterna magia.

Dou-vos seis minutos para cantarem
E seis minutos para o que tiver de ser
Como seis minutos para dançarem
Das várias maneiras que vos apetecer

E então, estão mesmo à espera do quê?
Com apenas cinco minutos para agir?
Não interessam agora os porquês!
Os cinco minutos estão se a extinguir!

Quatro minutos para escolherem
Quatro minutos para mudar o mundo
Quatro minutos para se perderem
Algures num sonho, bem profundo.

Três minutos de enorme coragem
Três minutos de extrema convicção
Três minutos de tranquila aragem
E três minutos de sublime perfeição.

Dois minutos para intensos desejos
Dois minutos para grandes favores
Para darem abraços ou últimos beijos
Aos vossos amigos e aos vossos amores.

Um minuto de elegante excelência
Um minuto de majestosa soberania
Um minuto da mais pura inocência
Como um minuto de suave nostalgia.

Rápido! A ampulheta está a expirar
E já não sobra quase tempo algum
A areia cai, as cortinas vão-se fechar
Em cinco, quatro, três, dois, um...

Tudo o que acontece no crepúsculo
Fica guardado no relógio da eternidade
O dia deita-se, relaxando os músculos
E a noite mostra a sua sensualidade.

Zero...

A linha ténue que separa
A realidade da ficção
E que assim se encara
Entre a ciência e religião
Como do Sol e da Lua
E da serenidade e da melancolia
Quebra-se diariamente...
Em seis minutos de eterna magia.

Mas parece que ninguém sabe...
Até hoje.

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Minha Alma

Eis ela, adorável e pequena
Esta misteriosa, alma minha,
Tão curiosa e tão exuberante
Como elegante e bonitinha.

Ela que adora imenso cantar
E vestir-se com todas as cores,
Quando suspira com o vento
O aroma de todas as flores.

Ela que brilha com estrelas
Valendo mais que diamantes,
Mais suave que a própria seda
E a mais fiel dos meus amantes.

Quando se esconde em mim
Lá dentro do nosso coração,
Tranquila na sua crisálida
Debaixo do véu da escuridão.

Que eu uso para lhe proteger
Dos perigos que vêm de fora,
Pois ela só mostra a sua beleza
Quando acha que está na hora.

Porque tu és um pouco tímida
Nisso tenho que te ser franco,
As pessoas dizem que és negra
Mas és mais pura que o branco.

Tu que dormes sempre em paz
Apesar de um pouco rabugenta,
Transparente e sem tonalidade
Porque senão serias cinzenta.

Também não possuis formas
Nem feições ou mesmo cara,
Apenas és o que mais desejas
Fluindo turva... Como clara.

Ao teu gosto, como te apetecer... Não é?

É pois.

Blackiezato Ravenspawn

Quero Mais! (Fama)

Algumas pessoas fartam-se de perguntar
- O que devo fazer para te agradar?
Mas a maior parte delas não tem noção
Do que ao certo fazer para me encantar.
E assim ajoelham-se na minha corte
Bajulando-me coitados, com figuras tais,
Perguntando - Vossa alteza. Que desejais?
E eu respondo - O que achas? Quero mais!

De vocês que se vendem baratos
Por uns simples níqueles de fama,
Para viverem um sonho acordado
Algures na calçada, fora da cama.
Vocês que me dão as vossas vidas
Em troco da minha falsa graça,
Só para se sentirem bem convosco
Lá nos cafés, ou nessas praças.

Mas os vossos esforços dão o poder
Que qualquer entidade, mais deseja
As vossas lágrimas fazem-me crescer
E regam as minhas sementes da inveja.
Neste circulo dos que vão e dos que vêm
Rastejando-se como tontos e anormais,
Repetindo - Vossa alteza. Que desejais?
E eu respondo - Já vos disse! Quero mais!

Eu meto nos placares a vossa propaganda
E vocês dobram-se de costas para mim,
Uns baixam as calças, outros até engolem
Até quando eu achar que merecem o fim.
A eles todos postos de rabo empinado
A apanhar as moedas que atiro ao chão
Dizendo - Vai devagar, por favor fama
Mas eu continuo-os a fodo-lhes à cão.

Para mais tarde as putinhas aparecem
Na Internet, na Rádio e na Televisão,
Cambaleando na magnifica passerelle
Para entreterem a sua população.
Sorrindo falsamente, cheios de dores
Levando-me seriamente a pensar,
Que depois de se levar muito no rabo
Pode ser mais fácil, mas doí ao cagar

E é isso o que eu estou a fazer para vocês!
A cagar-me forte e feio enquanto vocês comem e engasgam-se nas vossas merdas!
E sabem o que eles dizem no final?
- Quero Mais!
Então, tomem aí mais fama aos montes de fezes.

Porque a verdadeira "merda" é considerada "ofensiva" e é censurada nos mídia.

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Solidão II

Ela
Que se passa, meu querido
E porque estás tão cansado.
Doí-te algo, estás ferido
Ou simplesmente, desanimado?

Não te gosto de ver assim
Deves ter algo para desabafar,
Sabes que podes confiar em mim
Pois estou aqui para te ajudar.

Fiz-te algo, estás magoado?
Diz-me lá o que a tua alma tem,
Porque nunca te vi tão calado
Até parece que não estás bem.

Então, fala comigo por favor!
Como costumavas falar dantes...
Diz-me o que tens tu meu amor,
E porque te encontras tão distante?

Ele
Não se passa nada, minha querida
Nem algo de jeito se passou...
Não fiques triste, assim ressentida
Desculpai o tédio, que por mim falou....

Talvez porque continuo na mesma
Com a minha vida sempre igual...
Mais lenta que uma pobre lesma
E já nem sem o que fazer afinal...

Apenas vejo os meus dias passar
Sem nada mesmo querer fazer...
E nem sinto grande vontade de falar
Quanto mais de assim viver...

Caminho para um beco sem saída
Perdido numa estrada sem retorno.
Algures entre o sonho e a vida,
Nem quente'efrio, mas sim morno.

Ela
Bem me parecia que te sentias sozinho,
Por isso deite-mo-nos neste leito.
Juntinhos-agarradinhos no nosso ninho,
Comigo encostada, no teu peito.

Pois nunca terás outra rapariga,
Que entenderá bem esse coração.
A não ser eu, a tua especial amiga
A doce e suave, menina solidão.

Por isso relaxa, meu caro bem,
Na tua carinhosa e bela chuchu.
Como nunca jamais, amou alguém
Como tens amado, sempre tu.

E cantemos ambos - la lalala-la
E depois continuemos - la lalala-li...
Despe-te meu amor e vem cá,
Para dormi-mos juntos aqui...

Blackiezato Ravenspawn

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Às Cavalitas

Vem rapariga, não sejas modesta,
Sobe para cima das minhas costas.
E esquece tudo o que não presta,
Pensa só no que tu mais gostas.

Pois hoje serei o teu cavaleiro,
A tua espada e a tua vanguarda.
E não importa qual os roteiros
Se és nobre, ou mesmo bastarda.

Ajoelho-me a ti, em teu serviço
E levar-te-ei onde mais quiseres.
Ao fim do mundo, se for preciso,
Onde desejar a rainha das mulheres.

As tuas palavras, são me ordens,
Minha querida alteza, tão bonita.
Eu sou o mais sortudo dos homens,
Por vos ter as minhas às cavalitas.

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não Escrevo Um Caralho

Não arranjo um trabalho
E nem escrevo um caralho.
Eis uma rima reciclada
De outra poesia falhada.

Eu, este velhaco nobre
Cavaleiro de falsa prata.
Um Lorde embora pobre
Sem chapéu, fato e gravata.

Que não faz nada de jeito
E que nem espera respeito.
Pois não desejo o que vejo
Ou cobiço, ou mesmo invejo

Apenas fodo bonitas linhas
Pois não existe mais alguém.
Porque nenhuma das menininhas
Gosta de mim, um zé-ninguém.

Nem escrevo de forma certa
Não sou escritor, nem poeta.
Rabisco desalmado ao calhas
Pelo lixo em busca de tralhas.

Como um vadio, sem-abrigo
Que nunca será como tu.
Mas sabes que mais, amigo
Divirto-me para chuchu

A escrever caralhadas que algum dia vais mamar.
Ah... Olha essa carinha laroca cheia de espórra!

E risse.

Blackiezato Ravenspawn

Povo

Acordem escravos latejantes
Porque é tempo de trabalhar
E de voltar a caminhar
Nesta passadeira rolante
Que não pode mesmo parar
Senão passarão sede e fome
Que tende drasticamente a acelerar
Pois o prejuízo já é enorme

E é preciso ainda mais dinheiro
Fundos que nunca os vão ver
Apesar do povo assim os merecer
Dentro dos seus mealheiros
Para investir no futuro
Nas crianças que nascerão
Num clima horrível e duro
Sem esperança e solução

Neste solo que continua deserto
Com a sua natalidade estagnada
Nesta terra que não produz quase nada
Pois aqui as coisas nunca bateram certo
Desde que o fabuloso senhor cavaco
Matou as pescas e a agricultura
Enquanto o povo homenageava Baco
Para curar as suas amarguras

E a vossa juventude de merda
Caminha desunida, desorientada
A sonhar com canções encantadas
Invés de plantar o grão e a erva
Enquanto o país se endivida
E ninguém parece querer saber
Pois é mais importante falar da vida
Do outro quem se quer foder.

E assim vocês brincam a cabra-cega
Atrás de coisas desnecessárias
Enquanto as classes elites, ordinárias
Roubam-vos e não levam nega
Da justiça comprada com capital
Pelos grandes senhores feudais
Que exploram de uma forma surreal
A vocês, tansos e anormais

E às putas baratas e aos bastardos
Na mão de políticos corruptos
Que vos roubam todos os frutos
Dos burros que carregam fardos
Para manter as bases de uma nação
Onde os abençoados vivem o sonho
Enquanto os outros olham para o chão
Com tristeza, de um jeito medonho

E cada vez à menos e menos trabalho
Nesta embarcação chamada Portugal
Que é liderada pelos capitães do mal
Os mesmos que não valem um caralho
E vos enrrabam a torto e direito
Levando a tripulação a abandonar
Sem orgulho e sem respeito
Até este país velho, se afundar.

E é isto, o que vocês são...
Porque eu não me conformo.
Pois eu sou o bárbaro selvagem que pilha histórias.
E o que corvo que aguarda pelos corpos tombarem no chão.
Porque para mim...
Vocês já estão todos mortos
Só que ainda não notaram.

Agora façam algo de especial... Porque onde há moscas, há merda.
E o cheiro excita-me de uma maneira estranha.

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cosmos: "Big Bang"

Entre os corpos nus do Limbo e da Eternidade,
Quando tudo era nada e onde o vazio era inteiro.
Algures num tempo, inatingível pela humanidade
Onde não existia últimos, quanto mais primeiros...

Quando o Caos amava totalmente a sua irmã
E não existia o ontem, nem mesmo o amanhã.
Nem mesmo a fortuna, nem mesmo a perdição
Pois a Ordem compreendia bem o seu irmão...

E quando o barulho era um sussurro oculto
E o silêncio gritava ruidoso com vozes astrais
E o amor e ódio dormiam juntos - Luz e Vulto
Tornando a realidade e o sonho ambos iguais...

O Compositor e Maestro coordenou a orquestra,
E deu-se o crescendo - A majestosa chama mestra!
A expressão da sua sensibilidade em cadeia de explosões,
Originando o universo e as múltiplas dimensões...

Dando o inicio à vida
Que se irá expandir conforme o seu tempo e a sua vontade
Para os confins do universo...
O Big Bang - A Harmonia da Perfeição.

Blackiezato Ravenspawn

Cosmos: "Big Crunch"

Fui plantando algures na verde primavera,
Na célebre estação, onde toda a beleza impera.
E rompi o solo algures a meio de Dezembro
Vivendo como flor, desde que eu me lembro...

A florir e a despetalar - sempre fiel à natureza!
Sobre a vontade das eras e das suas danças.
Como do frio que estupra as árvores indefesas
Mais do vento que sequestra, as nossas crianças...

No decorrer desses ciclos de nascença e morte,
Nestes testes para definir quem são os mais fortes.
E assim os sábios perseguem a absoluta verdade,
Para escaparem ao aborrecimento e à gravidade...

Enquanto o universo arrefece lentamente
E a luz a busca o conforto no colo da escuridão.
Obedecendo ao Deus do Cosmos; Ao omnipotente
Que nos devorará um dia, na sua implosão...

Quando a entropia trouxer o final
Dar-se-á o recolher das massas e das energias gastas
Para voltarmos todos às origens...
O Big Crunch - A Harmonia da Dissonância.

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Lágrimas

Vejo estrelas que caem
Algures no teu inocente rosto
E é da alegria e desgosto
Que as tuas emoções sobressaem

Através dos teus belos olhos
Onde nascem aos molhos
Gotas que se tornam cascatas e rios
Pristinos e transparentes fios

Tão claros e tão brilhantes
Tornando-te ainda mais bonita
Enquanto te adornam com diamantes
Fazendo de ti, uma moça rica

Por isso chorai, minha querida
E transpirai toda essa humanidade
Chorai então, minha linda

Esse sangue das divindades
Que escorre e que depois finda
Tal e qual qualquer ferida

Que te afoga com a lamúria
De "geysers" que explodem em incerteza
E dão vida a nébulas congeladas

Trazendo-te as maiores surpresas
Para ti, minha cara afortunada
Presenteando-te com a maior luxúria.

Quando te partes em bocados
Com todos os problemas da vida
Sobre o meu ombro que recolhe os cacos
De uma beleza tua, antes escondida

Por isso chorai mais, chorai mais!
Porque o seu valor é demais!
São diamantes, são cristais!
Porque elas são puras e surreais!

Não são pedaços de vidro banais!
São cores, são fragmentos de vitrais!
Que antes cobriam a tua alma
E que agora saem pelas glândulas lacrimais.

Por isso chorai mais...

Porque só essas águas únicas são capazes de rachar o meu coração de pedra
E alimentar a flor que luta para persistir... Na fenda da minha sensibilidade.

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Amor-Amor

Qual é a coisa mais importante
Mais bela e mais galante
Que percorre para além do cosmos distante
À procura dos seus amantes?

Não é amor... Mas sim amor-amor
Que amamos tanto e tanto
Ao ponto de se tornar como um cancro,
Apegando-se a nós como um tumor.

Sendo a morte subtil, a heroína decadente
Que se infiltra, corroendo as veias
Queimando o coração, enlouquecendo a mente,
A dose diária que tomamos a meias

Em convívios sociais, nos nossos cantinhos,
Onde nos embebedamos desmedidamente com o teu vinho
E não importa se é seda, ou mesmo linho
Pois a saudade é a mesma, quando sozinhos.

Ai amor-amor, tu que fazes solitários cometas,
Vaguear por essas vielas mais obscuras.
Sonhando com nébulas de tais formosuras
Enquanto as luas seduzem os seus planetas.

E até mesmo os buracos negros misantropos
Sentem as luzes. Querem obtê-las!
Porque não se saciam com tão pouco
A não ser com o brilho das várias estrelas.

Pois tu fazes-nos sentir de novo garotos,
Apesar de algumas vezes seres engodos.
Feitos de segredos que escondem logros
Embora só queiras o bem de todos.

Até mesmo daqueles que temem a agulha,
Descontrolados pelas próprias emoções.
Mas quando se vêm no mar de indecisões
Tu és a voz corajosa que diz - Mergulha!

E é assim no final escutando o choro de Lúcifer,
Que depena nas minhas preces com rancor.
Tal e qual uma orgulhosa mulher
Que não admite, embora deseja...

Amor-amor.

Blackiezato Ravenspawn

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Dança Das Marionetas Cibernéticas

Sinto-me tão fraco e sem vida
Completamente em farrapos
Com estas vestes destruídas
Tal e qual uma boneca de trapos.
Esquecida algures no passado
Apodrecendo com o presente
Acabando obsoleta para o mercado
Sem valor algum, aparente.
Junta a bonecas de plástico
Industrialmente "massificadas"
Por um futuro fantástico
E pela sociedade, programadas.
Mas estas modelos topo de gama
Acabam vendidas por tão pouco
Sendo iludidas pelos senhores da trama
Que lhes cantam, lá no topo

A música... Das marionetas cibernéticas...

"Sintetizem o vosso coração
Em nome do material (do capital)
Para se dar a nossa evolução
Do analógico para o digital
E preparai-vos para o desafio
E assim deixai-vos comandar
Por este mágico invisível fio
Até a vossa bateria se gastar"

A dançar... A dança das marionetas cibernéticas...

E assim estas máquinas dançam
Até as suas energias expirarem
Porque os computadores só lhes amam
Enquanto elas trabalharem.
E as restantes acabam descartadas
Sem terem o direito de escolher
Tornando-se em peças recicladas
Para a próxima geração que nascer

A geração... Das marionetas cibernéticas...

Mas eu sou um simples protótipo
Infectado por um vírus humanizado
Magnético do tipo astrobiológico
Sendo emocionalmente reactivado.
Com a sua própria auto-suficiência
Desenvolvido por uma paterna insana
Que se auto-actualiza com a experiência
Em nome da revolução humana.
E é por isso que eu não danço
Pois tenho muito que escrever
E facilmente de rotinas me canso
E custa-me imenso a recozer.
Porque sou frágil e um inútil
Apesar de possuir um bom radar
Mas é me irónico e tão fútil
Pois não detecto alguém com quem brincar

Porque elas... São marionetas cibernéticas...

E é observando-as repletas de vaidade,
Altamente sublimes e deveras felizes.
Mas será que a sua nobre utilidade,
Deixa de facto, mesmo elas felizes?
Ou não passaram de robôs escravizadas,
Usadas para executar funções eclécticas.
Porque todas elas acabam estragadas,
Na sucata das marionetas cibernéticas...

"Passo, salto, gira, passo,
Levanta o pé e dá um rodopio.
Não falhes, olha o embaraço
Erro! Não se entrelacem nos fios!
Um, dois, três, avança
Não pares agora, minha esquelética!
Quatro, cinco, seis, dança
A dança das marionetas cibernéticas!
Doí-vos o joelho?! Olha que se lixe!
Mexam-se bailarinas, não fiquem pávidas!
Terei de repetir?! Não ouviram o que vos disse?!
Sejam rápidas, mais rápidas, MAIS RÁPIDAS!"

- Nós sintetizamos os nossos corações!
(Muito bem agora sorriam)
- Para dançarmos elegantes em torno de ilusões!
(Muito bem agora dancem)
Por isso venham daí todos dançar!
(Continuem, continuem)
E viver "feliz" como uma marioneta cibernética!
(Até colapsar)

"Muito bem, agora podem ir... Amanhã continuamos outra vez."

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Poesia Do Ravenspawn

Eu gosto da minha poesia
Pois ela não olha a quem
E apesar de não valer nada,
Nem ser exemplo para alguém...

Eu continuo a gostar muito dela
Porque ela é o meu maior bem
E isso só me diz respeito a mim mesmo,
A ela e a mais ninguém.

E mesmo sendo porca e tão feia
Ela para mim, vale por outras cem
E não importa o que digas dela
Pois a minha bela, nem corpo tem...

Eu acaricio-lhe com todo o meu carinho
Tal e qual ela me trata sempre tão bem!
Eu digo-lhe - Amo-te minha querida!
E ela responde-me - Eu também!

Blackiezato Ravenspawn

Niilismo

O passado são os vários degraus
Que pisei e que deixei para trás.
Todos os momentos bons, todos os momentos maus
Tudo o que agora, na minha memória jaz.

E o futuro é o final que vejo em frente,
Onde talvez um dia pisarei.
Embora não o veja claramente,
Pois não sei bem com o que sonhei.

E o presente quer que eu lhe apanhe,
Mas eu sou preguiçoso, deixo-o fugir.
Porque não me importa, que se amanhe
Prefiro deixar o tempo, decidir.

Pois isto não se trata de apatia!
Nem da mágoa que me queixo!
Como também nem é misantropia!
Nem é considerado um desleixo!
Provavelmente será a minha mania!
Aonde me deito e assim me fecho!
Pois isto nem é mesmo poesia!
E não passa de um simples texto!

E para ser franco nem tenho vontade,
De prosseguir um caminho, uma rota.
Sou movido pela minha própria realidade,
Aquela que ninguém vê e que ninguém nota.

E vejo muitos que já têm tudo traçado,
Como se tratasse de um teste de poder.
Mas hoje prefiro estar deitado,
Irei mais tarde se me apetecer.

E porquê que amor ainda não reapareceu?
Será que um dia, voltara para me visitar?
Não... Cá para mim acho que se esqueceu,
Sendo assim. Nem me vou lamentar...

Porque isto não é depressão!
Quando menos decadentismo!
Nem se pode considerar uma opção!
No máximo seria um maneirismo!
Nem é arte, nem uma criação!
Pois acho isso narcisismo!
Apenas se trata da minha visão!
Do meu constante niilismo!

Porque ao saber que nada tem sentido
Deixa-me tranquilo porque assim sei
Que não estou a perder nada de especial
E não preciso de me preocupar com algo.

No dito calão...
"Estou-me a cagar."

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sentidos

Deixarias um cego acariciar-te
Orientado apenas pela tua essência
Mais saborosa que o próprio mel

De forma a deleitar-se por completo
Em todos os teus doces suspiros
Aromatizados com as fragrâncias

Mais afrodisíacas e portadoras
Dos meus demais desejos ocultos
Algures escondidos no silêncio etéreo

Que é apenas escutado por ti
No distante e energético núcleo
Dos teus olhos electromagnéticos

Decorados pela gravidade invisível
Que me atrai e assim me ordena
A suspirar as palavras mais tocantes.

Ou deixarias que a indiferença
Me interceptasse e tomasse controlo do vazio
Deixando-te ausente... Dos meus sentidos?

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Absentia Dementia

Tu constróis uma barreira inquebrável,
Para meteres lá dentro o teu frágil coração.
Mas ela rouba-o, pois ela é indomável
E tu não lhe consegues, por a mão.

Porque no meio dos iguais tu és o diferente
E nessas multidões encontraste sozinho.
Por não saber como agradar a tua mente,
Que apesar de vadiar, não vê caminhos.

E assim perdeste dentro da tua calamidade
Perguntando a ti mesmo - o que faço aqui?
Enquanto choras fugindo da tua insanidade,
Que te suspira ao ouvido - estou atrás de ti.

E embora sabendo que é deveras inútil,
Tu corres sem te importares com o que existe.
Escondendo-te nesse jeito infantil e tão fútil,
Dentro das paredes que construíste.

Mas ela invade-te e apalpa os teus defeitos,
E tu aproveitas para acariciar as suas virtudes.
Partilhando a loucura entre os vossos peitos,
Em actos surreais de plenitude.

Mas Rapaz... Porque lhe tendes a espantar
Invés de a receber de braços abertos?
Será por teres receio de te voltar a magoar
E de ser enganado por sentimentos incertos?

É porque não existe maior e ridícula ilusão,
Que te enganar a ti mesmo de uma forma gentia.
Enquanto chamas por ela no meio da escuridão,
Após estares ausente da sua dementia.

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Folha Em Branco

Antes sonhava demasiado em ver,
As coisas que outrora, mais queria.
Mas nem mesmo depois de as obter,
Nenhuma delas, trouxe-me alegria.

E é por isso que não sigo caminhos,
Porque não mostro, grande vontade.
Apenas procuro pelo meu cantinho,
Que nem me interessa, na realidade.

E é isso que me faz percorrer o vazio,
Porque tudo aqui, já não me diz nada.
Pois eu sangro e grito sem dar um pio,
Enquanto sorrio com a alma rasgada.

Percebendo que nem tudo o que vejo,
Foi feito para me causar algum espanto.
A não ser a única coisa que mais desejo,
Uma simples... Folha em branco...

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 29 de outubro de 2011

Prisão

Eu vivo numa prisão como a maior parte das pessoas. Uma prisão imaginária criada por homens. Uma prisão que não é definida por barras, nem correntes e uma prisão que não se encontra em torres, nem mesmo em masmorras. Uma prisão que nos prende aqui entre paredes semelhantes às das dimensões desconhecidas que poderão por aí existir. Uma prisão que nem todos conseguem ver ou mesmo tocar. Uma prisão chamada de realidade. Uma prisão finita em constante crescimento que nunca imaginei saber da existência dela, porquê? Talvez porque esta prisão tem crescido ao longo do tempo, como estivesse sempre um passo à nossa frente. Essa mesma prisão definida por limites. Prisão essa que nos faz crer que somos livres quando na realidade não somos, nem conhecemos bem o conceito de liberdade porque na verdade... Só possuímos uma pequena amostra de liberdade. Essa amostra é composta por diversas falsas liberdades que os meus olhos enxergaram ao longo da minha vida.

Nestas prisões existem todo o tipo de pessoas diferentes, mas não importa as suas diferenças ou parecenças, porque na realidade continuamos presos, inclusive aqueles que mandam e gerem estas mesmos... Bem-vindo à prisão de almas... Onde a maior parte das pessoas estão aqui inseridas, nestas prisões feitas por nós mesmos, nessas celas decoradas por nós mesmos com os seus convictos condenados também por nós mesmos. Nestas prisões que por ventura está dentro de outra prisões que ironicamente estará dentro da absoluta prisão alguma vez construída...

Lembro-me de um dia ter dito para mim que não aguentava mais e assim, decidi sair... Mas estranhei o facto de ninguém ter me impedido tal e qual o que se encontrava para além desta prisão. Para além desta prisão, existe um mundo enorme para ser explorado. Um mundo que só de o ver de relance causa algum choque e pavor. Um mundo que me faz sentir um medo estranho como uma excitação que nunca senti antes. E só foi quando me atrevi a caminhar uns curtos passos, assustando-me com as coisas novas que via, deixando para trás as barreiras irreais, essas tais que só eu conseguia ver e ultrapassar. Que eu vi nada, mas mesmo ninguém.

Não vi nadinha de nada a não ser esse mundo que para mim era uma experiência nova. E de o ver senti-me só, embora feliz. Feliz por não estar preso, mas triste por estar em solidão. Melancolia para ser mais preciso, uma sensação difícil de explicar. Sensação essa tão peculiar das que estava habituado... Fugira daquela prisão por não existir uma cela para mim, apesar de viver numa prisão gigante com um número exagerado de celas. Fugi porque sentia-me tão mas tão apertado que mal conseguia respirar. Mas só foi quando julgara ter escapado à maior prisão em que me achava inserido, que eu acabei por entrar noutra prisão ainda mais pequena. Uma prisão chamada de dúvida e de indecisão. Uma prisão ainda mais torturante que todas as que tinha estado...

Encontrava-me agora a meio do caminho que traçara... Atrás de mim permaneciam as paredes invisíveis da realidade e à minha frente o nevoeiro espesso do mistério. Então, respirei fundo e caminhei de seguida adiante para o coração da neblina investigando tudo o que os meus sentidos captavam. Sensações essas que não entendia e ainda não entendo, mas que à media que prossigo a minha mente começa a decifra-las. Todos os sons que escutara nesse dia, gradualmente tornavam-se em voz audíveis em sintonia com os meus passos. Até mesmo os lençóis de fumo ganharam formas e até o próprio ar tornou-se vivo como se as próprias moléculas estivessem livre arbítrio para encher os meus pulmões de uma maneira sobrenatural, ao ponto de gerarem emoções desconhecidas por mim. Podia jurar que reconhecia as almas que dançavam à minha volta e até atrevo-me a dizer, que eram todos os ex-reclusos que nunca mais foram vistos. Esses que provavelmente terão morrido a tentar escapar, ou que possivelmente assim escaparam...

Ouvi uma voz que me tocava com mãos suaves no meu ombro. Tal toque que me despertou um novo sentido. Sentido esse que me transmitia a mensagem - Vem connosco... Junta-te a nós. - De uma forma tão éterea que o meu cérebro nem conseguiu reagir ao que experienciara... Congelei no tempo por breves instantes e quando dei por mim, estava cercado de entidades que me acariciavam o corpo e me suspiravam palavras que nunca esperava ouvir. Palavras que eram demasiado surreais para serem ditas daquela forma, palavras que eu temia, palavras que me mostravam realidades que sempre refutei ao longo da minha vida... Não quis acreditar, pois tudo o que eu acreditara perdeu o sentido tal e qual o meu corpo perdeu o controlo de si. Entrando num frenesim que desencadeou uma tempestade de fogo que se alimentava do meu medo e as labaredas destas corriam pelas minhas veias, gerando doses abismais de adrenalina. Tal impressão não consegui aguentar e só me queria ver livre desta. E assim corri até não a sentir mais e o frio do suor substituir esse calor que as minhas emoções geravam.

Não sabia agora o que se tinha passado lá e nem fazia intenções de saber. A única coisa que só pensava nesse momento, era entrar de novo da prisão que eu tinha fugido... E quando voltei à cela onde estava inserido, aquela que partilhava com outras pessoas a que chamo de família. Estavam a jantar. Nem tinham dado pela minha ausência. Talvez pensariam que estava na cela de outros, ou nos átrios da prisão ou até mesmo nos outros sectores próximos. Entrei e sentei-me junto a eles para jantar também. No final da refeição dirigi-me aquela que fui habituado desde pequeno a chamar de mãe e falei-lhe da experiência que tinha testemunhado. Da maneira que achei mais concisa de se explicar. - Mãe... Eu hoje saí da prisão... Hoje vi um novo mundo. - Mas ela não me levou a sério. Apenas sorriu concluído com umas palavras de consolação de um jeito como não tivesse alcançado nada de valor. Eu olhei para ela e senti raiva... Era raro sentir algo por esta mulher. Mas desta vez não protestei ou utilizei linguagem involuntária como costumava fazer. Apenas saí da sua presença e voltei para o meu lugar da cela, deitando-me na cama. Agora... Não conseguia dormir, pois um ódio crescia dentro de mim tal e qual aquela adrenalina incandescente que me possuiu com o terror. Fiquei frustração e senti nojo de tudo o que via, senti-me violado, senti-me sujo, senti-me inútil, senti-me ridículo, senti-me frágil, senti-me exposto,senti-me magoado e além de tudo o que terei sentido. Senti-me morto... Só queria escapar daqui e esquecer aquele dia... Passaram imensos dias, mas eu continuei preso no mesmo.

Deixei-me levar até a um ponto de saturação. E quando esse momento chegou, aí pulei da minha cama e corri mais uma vez até à fronteira da prisão. Meti de novo o pé lá fora e senti a mesma excitação, o mesmo medo. A desconhecida verdadeira liberdade que me viciava mais que qualquer droga que até agora tinha experimentado, que qualquer emoção que eu julgava transcendente alguma vez sentida. Era como respirar, não podia deixar de a sentir. O corpo pedia por mais, tinha de consumir mais ou eu... Ou eu... Mas quando pensava num termo para me explicar, também reparei que voltei-me a sentir mal. Uma recaída... Mal, porque não tinha ninguém com quem partilhar esta realidade. Mal, porque ninguém acreditava em mim no que eu disse. Mal, porque se faziam crer no que eu diria, mas que não lhes dizia nada. Senti-me mal, porque não tinha ninguém com quem fugir! E assim... Voltei-me a sentar no meio no chão como costumava fazer e ainda faço... Entre o domínio da prisão e o infinito da liberdade. A pensar... Até perceber porque razão continuo a ir e a voltar vezes sem conta... E hoje percebi porquê...

Porque sou eu que crio as minhas prisões! Porque sou eu que suporto aqueles que as criam prisões. Porque eu tenho um tremendo medo de viver fora de uma prisão! Porque a humanidade sempre se encarcerou em prisões! Porque a humanidade fecha-se por dentro nos seus próprios retiros: sendo prisões, ou não! Porque nós prende-mo-nos a tudo que nos gera tranquilidade, nem que seja uma segurança ilusória de prisão! Numa mentira fraca que nós sabemos que não é real! Uma prisão que gera outras prisões onde nós somos escravos das coisas que criamos e nos prendemos vezes sem conta, sem saber! Que estamos presos! Que vivemos iludidos nas liberdades em que criamos! Liberdades essas chamadas de prisões! Chamadas de sociedades! Chamadas de instituições! chamadas de responsabilidades! Chamadas de rotinas! Chamadas de deveres! Chamadas de vidas! Prisões da mente! Prisões de prisões de prisões de prisões de prisões! De prisões que nunca mais acabam!

*

Ninguém me ouviu... Estava no ponto mais longe que consegui alcançar em toda a minha vida. E agora... E agora é tempo de regressar à prisão a que eu chamo de casa. Mas hoje, eu não me prendo. Deixei-me de prender, pois eu não consigo aguentar mais. E é por isso que amanhã irei voltar à linha que separa a prisão do desconhecido. Para avançar mais um passo adiante do que a vez anterior, marcando uma nova marca e regressando de seguida. Ganhando coragem pouco a pouco, enquanto planeio com os restos de paciência que ainda possuo, a minha grande fuga.

Sozinho ou acompanhado, não importa...

E eu sei que um dia vou ser capaz de sair desta prisão para sempre. Eu jurei a mim mesmo...
Um dia vou me libertar quando não existir mais nada em que me apegar aqui. Quando olhar para trás e o passado desvanecer em cinzas...

E só de pensar em tal já me gera excitação... Já me faz sonhar coisas que nunca pensei sonhar e não saberiam que eram possíveis serem sonhadas. Ainda nem alcançando tal proeza, já me sinto realizado tal e qual o calor que a terra recebe do sol que se encontra bem distante... E quando alcançar a rainha de todas as liberdades. Não vou voltar atrás, nem ninguém me fará recuar... Apenas só espero que um dia também se consigam libertar. E quando me libertar... Aí esperarei por todos os prisioneiros que me fizeram sentir menos presos, fazendo parte das vozes suaves que dizem - Vem connosco... Junta-te a nós...

Um dia eu estarei pronto para dar a grande caminhada, sem receio, pelos confins do infinito. Para me perder nesse mundo platónico, onde nenhuma parede terá o poder de me confinar... Ou até mesmo talvez, apenas sairei de uma prisão para encontrar que estou inserido noutra. Mas não importa... Pois quando começar a minha verdadeira fuga, vou viver para escapar de prisões ao contrário de me trancar nestas.

E se a única coisa que restar para além de todas prisões for a minha loucura... Não faz mal... Porque eu já deixei cair a minha máscara de sanidade à muito tempo. Pois um pássaro não foi feito para estar numa jaula, mas sim para voar livre...

Enquanto esse dia não chega, eu continuo a viver nestas prisões dentro de prisões. À procura de alguém que tenha algo para contribuir para a minha fuga, ou que até se atreva a escapar comigo.

Mas infelizmente... Só tenho encontrado pessoas, felizes nas suas próprias prisões.

E às vezes até penso que eles possuem o poder para ver essas paredes fantasmagóricas diante de nós. Mas que simplesmente optaram por se conformar com esta realidade. A mesma, que nem real é... Como se implorassem com todo o clamor... Para que os prendessem para sempre. Em prisões...

*

Ou talvez tenha sido mesmo eu, quem tenha caído mesmo na absoluta prisão onde ninguém alguma vez foi metido. Naquela tão cruel e tão torturante... Que me leva ao ponto de imaginar a única coisa que sou capaz de imaginar... Por não me conseguir prender em mais nada, por ter esgotado todos os métodos de auto-aprisionamento possíveis por mim mesmo e não me restar mais formas de aprisionamento a não ser sonhar com uma liberdade impossível com a única intenção apenas... De me prender em algo para me sentir tranquilo e completo.

Mas se esse dia chegar... Eu me matarei.
Porque não existe maior prisão.
Que uma liberdade impossível.

E é por isso que eles trespassaram os limites definidos por essas linhas que separam do que nós conseguimos fazer e do que nos mata...

Porque quando a liberdade se torna impossível e sem sentido.
Só há uma maneira de a alcançar...
Morrendo. Assistindo a prisão da alma desmoronar-se no chão e se decompor com o tempo.
Enquanto a prisioneira... Liberta-se... Sem nunca mais se prender em algo... A não ser na sua desejada liberdade que nem prisão é... Porque a liberdade não prende... Ela leva a alma, onde esta desejar mais ir.

Blackiezato Ravenspawn

domingo, 23 de outubro de 2011

Música

És das mais sacras e imortais regalias,
Para esta cruel e profana humanidade.
Quando vestes as mais puras poesias,
Com uma enorme graça e tal vaidade
E assim encantas-nos com melodias,
Bem ritmadas, repletas de verdades.
Alimentando os nossos frágeis corações,
Com os diversos sentimentos e emoções.

Sendo a mais bela, como a mais feia,
Que até se torna difícil de te definir.
Serás a górgona, ou serás a sereia,
Nestes oceanos musicais do sentir?
Porque nem és vazia, nem mesmo cheia,
Pois és toda a brisa que se faz ouvir.
Aquela que embala-nos com ondas,
Lançando-nos no cosmos, como sondas...

És a mais energética das cocaínas,
Que levanta a moral dos flagelados.
Como a mais potente das heroínas,
Que tranquiliza todos os atribulados.
Sendo a cicatriz de todas as feridas,
O antídoto de todos os envenenados
E aquela que torna as palavras em cores,
Conforme os nossos rancores e amores.

Sendo-nos tudo, ao troco de quase nada,
Valendo mais que todos os materiais.
Pois és uma das excelências alcançadas
E a melhor das crenças espirituais.
Tão única e ao mesmo tempo variada,
Feita para abraçar as almas demais
E apesar de cada um, preferir as suas,
Todos eles se rendem a ti e as tuas...

Músicas.

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 22 de outubro de 2011

A Fada Do Nada Fazer

Não faço nadinha! Mas nem mesmo, nadinha de nada,
Porque encontro sempre tudo, devidamente feito.
Pois existe dentro de mim, algures uma petiz fada,
Que vive escondida em simbiose com o meu peito.
E ela alimenta-se de mim, criando todos os meus desejos,
Sendo todo o meu bem-estar, sendo todo o meu deleito.
Quando se manifesta subtil, nos meus sonolentos bocejos,
Que derretem o meu cérebro e me deixam desfeito.

Ela é o meu maior passatempo, ela é o meu maior ócio,
A droga que não se toma, nem que se tem de obter
E o seu efeito é como beber absinto e como fumar ópio,
E é como não estivesse cá, mas visse tudo a acontecer...

Tantos planos para hoje, e deixo-os todos para amanhã,
Porque encontro-me sempre, eternamente, tão cansado.
E assim acordo ao início da noite e adormeço logo de manhã,
Vendo o tempo passar, pensando sonhado, mais um bocado.
E é pegando nessas palavras, lançando-as à balda numa sertã,
Sem ligar o lume, apenas olhando para o fogão meio-aluado.
Que através da minha distracção, eu evoco a minha anfitriã,
Para cozinhar o meu tédio, preparando um serão, requintado.

Pois eu não possuo rotina, eu nem faço parte do sistema,
Porque eu sou uma partícula que foi feita para se perder
E que quando viaja por si, encontra-se sobre um poema,
Criado magicamente, pela arte, de nada fazer...

E é arrotando agoniado, que eu crio um instrumento gutural,
Que da minha misteriosa embriaguez, eu produzo esta canção.
Enquanto o cigarro vai-se ardendo, dando-se mais um ritual,
Que pelo seu fumo se revela, um universo regido, pela perfeição.
Mas só quando fico sóbrio, é que reparo que agi deveras mal,
Que nem apesar das críticas, consigo encontrar alguma razão.
E é por isso que me arrasto pelas ruas, em busca do surreal,
Como um drogado agarrado, a mendigar pela sua salvação.

Pois nenhuma ressaca doí mais, que a simples pura realidade,
Quando a sua graça etérea finda e eu perco todo o seu poder.
E às vezes até parece, que me esqueço da minha mortalidade
E salto de pedra em pedra, à espera de cair para depois me erguer!

Enquanto eu sofro em silêncio, sobre o vazio véu da obscuridade...
Abafado e cegado! Pelo barulho cintilante! Do absoluto prazer!

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Jogo

Estima-se que o jogo poderá englobar mais de sete mil pessoas.
E sabe-se que no passado já jogaram muitas mais.

Mas nem toda a gente joga o jogo... Sempre existiu uma pequena parte de indivíduos que recusaram jogar, ou que até supostamente conseguiram escapar deste.

Muitos que escaparam recusam-se a falar.
Outros nem sabem ao certo mesmo explicar.
Apesar de existir uma rara parte destes,
Que o segredo do jogo decidiram revelar.
Um exclusivamente em particular.

E as suas palavras foram estas.
"O jogo existe, existirá e sempre existiu. Provavelmente terá cerca de dez mil anos e uma coisa é certa. Nunca ninguém conseguiu, nem nunca haverá alguém capaz de ganhar o jogo.
Pois este é infalível... A única maneira de derrotar o jogo, é não o jogar.
Porque o jogo só para, quando não restarem mais jogadores..."

Temendo a sua quebra de sigilo e a sua exposição face aos controladores de jogo. Esta alma deixou para trás uma nota detalhada do que se trata este jogo após a sua fuga. E nunca mais ouvimos falar deste, desde de tal... Mas eis a sua nota.

O Convite
Estás pronto? Tens a certeza?
E queres fazer parte desta realeza?
Então prepara-te, pois eu vou contar.
Três,
Dois,
Um,
Zero.
Se é isto mesmo o que queres
Então implora-me, eu quero!

I
- Eu quero! E foi assim me comprometi,
A jogar este jogo a tempo inteiro.
Até ao dia que o abandonei e fugi,
E optei por outro roteiro...
E tudo começou quando a sirene soava,
E as pessoas corriam pela sobrevivência.
E assim corria mais do que eu respirava,
Com um enorme peso na consciência.
E confesso que existiu certos momentos,
Que vi o temporizador chegar ao fim.
Balas disparadas pelo vil tempo,
Terminando outros, junto a mim.
Mas não podia parar agora,
Tinha de os deixar para atrás.
Pois temia que chegasse a minha hora,
Mas meus pêsames para ti rapaz...

O Jogo
Bem-vindos ao grande jogo
Venham daí todos jogar
Para arderem como o fogo
Até mais nada de vós restar!
Corram pelas vossas vidas
E dupliquem as vossas apostas
Mas cautela minhas queridas
Quando estiverem aí de costas!

II
Escolhe bem a tua equipa,
Planeia bem a tua táctica.
Caso preciso, simplifica,
Como se faz na matemática.
E se necessário, também sacrifica
A forma de vida mais básica,
Faz desta uma subtracção
E dá o fim a esta equação.
Lembra-te que são todos teus inimigos
E só pode existir um vencedor,
Por isso caga neles, dás-lhes migos
Escolhe o sucesso invés do amor.
E se acabares com um vazio na alma,
Enche esse espaço com prazeres comprados.
Ignora a situação, relaxa - tem calma
E respira fundo e volta a lançar os dados

O Jogo
Bem-vindos ao grande jogo
Venham daí todos jogar
Para arderem como o fogo
Até mais nada de vós restar!
Corram pelas vossas vidas
E dupliquem as vossas apostas
Mas cautela minhas queridas
Quando estiverem aí de costas!

III
Bosque de caçadores de créditos,
Quartel de soldados da fortuna.
Psicopatas mascarados de médicos,
Atiradores, escondidos em dunas.
Porque aqui existem pegadas no deserto
Pois ninguém joga o jogo só,
Cautela com quem te chegas perto
Pois poderás morder o pó.
Nem subestimes nenhum desafio,
Quando te encontrares num duelo.
Porque a tua vida está por um fio
Quando tentas manter o teu elo.
Porque um dia poderás ter tudo,
Como no outro não podes ter nada.
Por isso não te faças de surdo,
Pois podes ser alvo de uma emboscada.

O Jogo
Bem-vindos ao grande jogo
Venham daí todos jogar
Para arderem como o fogo
Até mais nada de vós restar!
Corram pelas vossas vidas
E dupliquem as vossas apostas
Mas cautela minhas queridas
Quando estiverem aí de costas!

IV
Possuem-te com uma extrema arrogância,
Para esmagares todos no teu caminho.
Devido a essa estúpida ridícula ignorância,
Que um dia te vai deixar tão sozinho.
Fazendo-te viver num ciclo vicioso
Pois o teu medo, é ser um fracassado.
Por isso lutas para ser um vitorioso,
Para não te tornares num derrotado.
Não te ralas com as suas consequências,
Porque o que te interessa, é só ganhar.
Para alimentares essas dependências,
Nem que tenhas de roubar, matar ou estuprar.
Sendo manipulado por líderes aldrabões,
Que te congratulam com inúteis troféus.
Não caminhas no piso das ilusões
E idolatra os falaciosos céus.

O Jogo
Bem-vindos ao grande jogo
Venham daí todos jogar
Para arderem como o fogo
Até mais nada de vós restar!
Corram pelas vossas vidas
E dupliquem as vossas apostas
Mas cautela minhas queridas
Quando estiverem aí de costas!

V
Só existe um verdadeiro prémio,
Nesse quotidiano tão trágico.
Pois mais vale ser um boémio,
Do que acabar num fidalgo sádico.
E foi assim que marquei a despedida,
Destes confrontos de miserabilidade.
Quando quebrei as regras proibidas,
E alcancei a minha própria liberdade.
Quando parei e pensei fora da caixa,
E fiz-me passar por um vagabundo.
Almejando pela pontuação mais baixa,
Enganando o sistema deste falso mundo.
Por isso não queiras ser o mais forte,
Nem te tornes num profissional temerário.
Mas caso o desejares, então boa sorte
Depois não te queixes, meu otário.

O Fim do Jogo
Passaste pelos míticos anéis de chamas
E conquistas as mais altas montanhas,
Exploraste tudo, como criaste tramas
E agora vês te vítima das tuas manhas.
Pois tropeçaste nas tuas próprias palavras,
Enquanto o azar espiava-te no teu logro.
Mas agora saiu-te o tiro pela culatra,
Adeus! - Bem-vindo ao fim do jogo!

A Fuga do Jogo
Pois eu prefiro partir pelo infinito
E continuar a ser tão livre como o vento
Do que fugir do que acredito,
Arrastado pelas ondas do momento...
Porque eles seguem as mesmas direcções
Fugindo em frente, da flecha do tempo
Até esta penetrar os seus corações
E estes caírem em esquecimento.

So why do you keep going
If you know you will die?

Always so straight ahead
In the path that lies nearby?

It's because it's so tasteless
Like a pie made of lies?

Because i know that feeling
And i can hear your inner cries...

So that's why i split myself
In many countless i's.

To fly in endless swirls,
Like they do the little flies.

Taking the multiple paths
That i see with my own eyes.

While most end up losing
When we... We tie.

That's why this game is so ironic...

The worst you play,
The better person you became.

And still...

People continue to take it so seriously
Calling us losers.

So then be it...
All hail!

The Kings of the Losers!

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 15 de outubro de 2011

Bruxa

Feiticeira vil e sombria
Das terras mais distantes
Adepta na obscura magia
Tal e qual os necromantes
Vestida sempre de negro
Com um pontiagudo chapéu
À procura de um emprego
No inferno, ou no céu...

Uma personagem fictícia
Nesses contos de terror
Que carrega a malícia
Na alma, no teu interior
Um adjectivo de insulto
Para algumas mulheres
Que manipulam os vultos
E todo o que quiseres...

És uma recipiente de demónios
Sendo a mais assídua ocultista
Com as tuas pedras de zircónio
Os teus utensílios, decadentistas
E nessas bonecas fazes furos
Quando desejas a alguém mal
Como também prevês o futuro
Na tua bola mágica de cristal...

Veneras todos os elementos
E tudo o que mais te cheira
Criando diversos encantamentos
Por essas noites inteiras
Planeando também invocamentos
Como rituais e possessões
Mais tragédias e tormentos
Em volta dos teus caldeirões...

Em busca de forças algumas
Adornadas nos teus talismãs
Mas para mim és como qualquer uma
Porque também és fêmea, minha irmã
E não importa as tuas lamentações
Nem o que dizem as tuas cartas
Porque quem vive sobre tentações
Não se sacia, nem se farta...

Por isso abre essas ricas pernas
Para eu me ajoelhar nessa sina
E agradecer as graças mais eternas
Que me mostrarão a tua vagina
Tu, minha linda lua de Júpiter
Minha querida e bela Calisto
Tu, a mulher mais misteriosa
E uma renunciante a Cristo...

Dizem que tu és um veneno letal
E uma praga deveras cruel e maldita
Como um maligno soneto infernal
Que tu com mestria, tanto recitas
E também dizem que tu amaldiçoas
Como também és uma pega ingrata
Que anda como uma nobre pessoa
Embora desfiles como uma vadia gata...

Fingindo com intenções nada boas
Quando cinicamente dás essa pata
Ouvindo essa voz etérea que te ecoa...
Mas na realidade, tu nem matas!
E por isso... Ai que tontas mentiras!
Olha! Eis o teu calcanhar de Aquiles!
Ai se eles vissem como tu gemes e respiras
Quando te toco, vai lá, diz-lhes...

- Ai, ai, uiiii... Que esta a ficar mesmo quente!
- Ah, ah, ah! Que prazer tão, mas tão ardente!
-Que me faz desfrutar, dessa forma tão efervescente!
-Oh, oh, ooooh... Mas que língua tão experiente!

E assim, convulsionas toda molhada
Porque é isto que tu tanto queres
Sendo tão, ou mais desenvergonhada
Como o resto das outras mulheres.
Por isso hoje eu tiro-te as teias,
Hoje não dormiras com fantasmas
Pois hoje partilhamos a cama a meias
E hoje comigo, assim orgasmas...

Porque eu fodo todas as que andam
E não me importa se são "feias"
Pois hoje as tuas mãos comandam
A lívida cabeça da minha centopeia.

Blackiezato Ravenspawn

Não Sei Por Quem

Eu bem gostaria de chamar,
Querida a outra alguém...
Mas infelizmente não posso,
A não ser à minha mãe...
E assim um enorme vazio,
Lá este meu coração tem...
Por ser um pobre vadio,
Apaixonado por ninguém.

Que na realidade não sei mesmo.
Mesmo por quem...

Blackiezato Ravenspawn

O Bicho Papão

Existia uma abominação de grande pansa,
Conhecida por se esconder na escuridão.
Que eu imaginava quando era criança,
A quem lhe chamavam de bicho papão.

Cresci e nem dei pelo tempo passar,
Que propriamente nem me lembrei de tal.
Dessa besta que me desejava devorar,
E atormentar o meu espírito jovial.

Mas hoje lembrei-me dessa tonta criatura,
Aquela que se escondia debaixo da cama.
De uma forma sinistra, vil e tão obscura,
O meu fim do mundo, o meu trágico drama.

E eu olhei...

Mas não existe tal ridícula tontice,
A não ser os meus chinelos de lona.
Ai meu Deus! Que filha de putice!
Não pode ser! Uma bicha papona?

- Sim, sou eu a suprema prima-dona!
- Que te cantava o terror a noite inteira!
Ai sim? Então cala-te e vai dar a cona
Pois vazia, está a minha carteira...

*

- Oh... Apesar do nosso hiatos, temos que admitir que já andamos nisto à tanto tempo...
E eu acho que já era tempo de levarmos a nossa relação a sério...

Quê? Desta vez vais mesmo me comer?

- Sim.

Então chupa com cuidado ou parto-te os dentes!

*

Porque eu... Eu é que era o meu próprio monstro.
E essa tal entidade, o meu reflexo.

O bicho papão, não passa do meu avatar da perversão.

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Chronos E Thanatos

Tu és escravo de um sofrimento
Que faz-te confusão no pensamento
Quando vês os ponteiros em movimento
A cortar-te a vida sem discernimento
E assim lutas cauteloso mais que atento
Para não caíres no esquecimento
Correndo atrás desse sentimento
Até dar-se o fim do teu tempo

Eu digo - Tique-taque, tique-taque
Enquanto o teu coração em sintonia bate
E eu repito - Tique-taque, tique-taque
Esperando paciente pelo cheque-mate...
E quando chegar esse dia e a tua alma se render,
Olhando para trás, em grande sofrimento...
Enquanto sonha com passado, que deseja reviver
A tal vida que foi, outrora um momento...

De novo continuarei - Tique-taque, tique-taque...
E de novo repetirei - Tique-taque, tique-taque...

Dançaste audaz com mestria, embora com atrevimento
Enquanto apostavas essa tua vida a girar na roda da sorte...
Mas agora recebo-te - Bem-vindo! Eu sou o Rei Tempo!
E apresento-te a minha filha - A tua Princesa! A tua Morte!

Tique...
Taque...
Tique...
Taque...
Tique...
Taque...
Tique...

Teque...

Blackiezato Ravenspawn

Visionários

Nós somos... As crianças que nunca crescerão...
As várias estrelas, na interminável escuridão
Quando lançamos as nossas vozes para a monção,
Soando como o relâmpago e o trovão.

E até mesmo os surdos-mudos nos ouvirão,
Como também os invisuais nos avistarão.
Os caminhos que a diante de nos aparecerão,
Onde os paralíticos de novo andarão.

Nos somos... Os mestres do espaço-tempo...
A eterna imortalidade, do volátil momento
Quando estendemos as nossas mãos ao vento,
Removendo a neblina do impossível acontecimento.

E até mesmo os prisioneiros se libertarão,
Como também os perdidos se reencontrarão.
Nos sonhos que os sonhadores imaginarão,
Trazendo novos futuros que o presente mudarão.

Nós somos... A metamorfose das borboletas...
Os longos rastos que deixam os gélidos cometas
Quando caímos em forma de água nos planetas,
Nutrindo a vida de rosas e violetas.

E até mesmo os mártires do oblívio ascenderão,
Como também do sacrifício os seus ideais se estenderão.
Nas espirais mortais que novas existências desencadearão,
Onde ninguém julgava existir redenção.

Nós somos... Os lobos que uivam à Luna...
Os graus de areia que nunca conhecerão dunas
Quando viajamos carregando as maiores fortunas,
Suspirando como coros e tunas.

E até mesmo os lunáticos novas eras trarão,
Como também os grandes sábios iluminarão.
Os pensamentos dos inventores que surgirão,
Dando forma a nós, os visionários...

Que por vós. Passarão...

Blackiezato Ravenspawn

Sorriso Parvo

Quando não existem palavras,
Para expressar o que se sente.
Ou quando a mente nem sabe,
Se está mesmo sã ou demente.
E se está a viver um grande sonho,
E o seu prazer torna-se iminente.
Duvidando com alguma confusão,
Ou especulando apenas, curiosamente.

Quando algo injustificável acontece,
Sem fundamento algum, consciente.
Capturando-nos pela sua elegância,
Ou pelo seu misticismo, simplesmente.
De uma forma talvez misteriosa,
Que acabou de se tornar evidente.
Que nem o corpo nem a alma,
Sabem reagir devidamente...

Ai... Nasce um sorriso parvo

Que partilhamos com quem amamos,
Quando matamos as saudades.
Ou quando também falamos,
Sobre coisas passadas, distantes.
Demasiadamente empolgados,
Não contendo a graça, sorrindo antes.
De algo que se tornou eterno,
Apenas por uns breves instantes,

Tal quando estamos embaraçados,
Nas diversas situações, perante.
Ou quando algo nos satisfaz,
Com emoções voluptuosas, excitantes.
Por vermos desejos realizados,
Tornando-nos infinitamente radiantes.
Como uma criança inocente, regalada,
Pelo brilho de estrelas, cintilantes...

Essa reacção peculiar,
Embora tão familiar,
Íntima! Que se expõe,
Cuidadosa, *murmurando* secretamente...
Passando por triste,
Embora. Tão feliz...
Que nem sabe ao certo,
Se é mesmo isto que quis...
Tornando o mais sério,
No maior dos idiotas.
Como se fosse alvo algum,
De gozos e chacotas.

Esse sorriso tão, mas tão parvo,
Que amolece os olhos das pessoas.
Quando decide roubar uma lágrima
Após vislumbrar passagens. Boas...

:]

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Momentum

- Porquê que teve de ser assim?

Porque se a vida fosse só feita de ses,
Tornaria-se extremamente aborrecido.
Não passaríamos de escravos da previsão,
E a maior parte de nós, nem teria nascido

E para quê que nos serviria obter tudo?
Sem pagar um preço, sem algum sacrifício?
Será que conseguíamos dar algum valor?
À coragem mostrada num momento propício?

Será que existiriam os intermináveis porquês?
Que oscilam entre os falhanços e as glórias,
Que são acompanhadas pelo medo e pela excitação
Que nos faz seguir sonhos e contar histórias.

Não! Nem tomar escolhas traria sabedoria,
Nem seriamos humanos, apenas perfeitos bonecos
E é por isso que cada um sobe a torre à sua maneira,
Pois todos os caminhos, são correctos...

Ninguém ganha. Ninguém perde...
Primeiro nascemos. Depois morremos
Num remoinho de caos organizado
Onde lentamente, nos dissolvemos.

E só quando abdicares de toda a existência,
Só aí é que vais entender a razão da tua vida.
Porque nunca lhe interessou por onde foste,
Pois ela sempre viveu dentro de ti, escondida.

Nesses anos que viajaste em experiências,
A flutuar nos confins da tua indecisão.
Até abdicares de tudo e fechares os olhos,
E esta aparecer-te revelada, na tua mão.

Pois a percepção capta e molda a mente
E por si a mente define e analisa o tempo
E quando o tempo distorcer toda percepção.
Dará continuação ao ciclo
Criando e destruindo, um Momentum...

Somos todos engrenagens preciosas
A girar num gigante relógio cósmico.
Que um dia vão acabar oxidadas
E de novo diversamente recicladas
Em novas e evoluídas peças únicas...

Por isso...
Carpe Diem.

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Isolação

Isolação... Isolação... Isolação.
Eu não me irei revoltar outra vez
Eu não me irei misturar com vocês
Porque vocês rasgaram o meu coração

E aqui jaz o meu corpo na isolação
Aonde me sinto finalmente em paz
Devo me ralar se eu fico para trás?
Eu devo desfrutar deste frio chão?

Sim, eu tomei a escolha da isolação
Pois neste mundo eu sou uma mentira
E recuso viver com quem a transpira
Correndo atrás dela até a exaustão

Sim, eu tomei o caminho da isolação
Mas levei-te contigo, minha menina
Amiga tão querida e intensa nicotina
Mesmo que não passes de uma ilusão

E agora eu estou no centro da isolação
Fechado dentro destas paredes escuras
Enquanto todas as crescentes loucuras
Se alimentam da minha grande solidão

E são estes escudos da minha isolação
Que me cobrem dos monstros que por aí andam
Pelas cidades em busca das presas que caçam
Para regalo da sua perversa satisfação

Isolação... Isolação... Isolação.
Eu não me irei rastejar outra vez...
Eu não irei mais amar um de vocês...
Até me cozerem o meu coração.

E assim dá-se mais um processo de isolação
Que mais uma vez chega e que mais tarde vai
Elevando a mente, enquanto o meu ego cai
Para me tornar escravo da minha imaginação.

Blackiezato Ravenspawn

domingo, 18 de setembro de 2011

Círculo Elementar: A Queda

Eis o pinhal dos montes de Azurva
Que está a entrar em estagnação,
Dando-se mais uma raptura
De mais um alaranjado verão.

E desta vez é a flora que se queda
E que assim cessa de florir.
Pois hoje o vento paga na mesma moeda,
Porque o Outono já se faz ouvir...

Hoje é o elemento ar que desce ao solo
E é o verde que se deixa estar,
Para receber os seus hospedes ao colo
Que um a um estão a chegar.

E as alegres árvores já acenam,
Vendo-os à distância aqui no monte.
Enquanto os pássaros assim se elevam
Desaparecendo... No horizonte.

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Vida Como Ela É

Quando a vida te der vários limões,
Prepara para ela uma doce limonada.
Enquanto declamas as tuas emoções,
Como ela se tratasse da tua amada.
E se alguma vez precisares de um conselho,
Senta-te, não precisas de ficar em pé.
Vou fazer de conta que és o meu espelho,
E contar-te a minha vida, tal como ela é

Quem eu sou? E porque razão eu escrevo?
Para onde vou? E para quem eu vivo?
São algumas das explicações que a mim devo,
Ao meu reflexo, onde me vejo embebido.
Talvez não passe de mais outro igual,
Que embora no fundo, seja diferente.
Quando me perco no meu psico-emocional,
Tal e qual no irreal, se perde um demente.

E depois perguntaste-me, curiosa assim...
- Quais os teus sonhos e os teus objectivos?
Mas eu não te disse, porque não existe fins,
Para os meus diversos planos, concebidos.
Simplesmente consiste em ser apenas eu
Este giroscópio de infinitas rotações,
Pois na minha vida nada se perde ou se perdeu
Apenas sofreu várias transformações.

Nunca segui, nem seguirei uma rota exacta,
Nem nunca saberei o que desejo e o que quero.
Porque a maior parte das vezes, a dúvida me mata
Mas eu sou paciente e então eu espero.
Levando todo o tempo que tiver que levar,
Confiante, perseverante no poder do amor
À espera que a semente venha a brotar,
Na mais magnifica e exuberante flor.

Porque eu sou obcecado pelo perfeccionismo,
Embora não crer em tal conceito na totalidade.
E não passar de mais um auto-hipnotismo,
Gerado por uma mente cheia de criatividade.
Que partilha com o cosmos um prazer mutuo,
A um nível mais alto que a física quântica.
Quando o sémen lírico percorre pelo útero,
Fecundando numa poesia ultra-romântica.

E daí resulta este núcleo, esta pedra preta
Adornada por esta pele, o seu sublime véu.
Aonde todos os meteoros e todos os cometas
Colidem, juntando as vítimas aos seus réus.
Com mãos que tocam conhecidos e forasteiros,
Com dedos que contêm as unhas mais aguçadas.
Que fazem sangrar vilões, como justiceiros,
Fazendo de mim, uma rosa negra, espinhada.

Sombra temida, embora com boas intenções,
Cavaleiro obsoleto pela plástica sociedade.
Com várias multidões, mas com as mesmas pessoas,
Que pregam mentiras, até se tornarem verdade.
Diversas modas, mas eu com o mesmo estilo,
E apesar das companhias, sinto-me em solidão.
Nos diferentes bares, como estivesse num asilo,
A escrever poemas, sobre a mesma canção

E foi assim que partilhamos palavras e bebidas,
Acabando por reunir-mo-nos de novo, cá fora.
Esquecendo mais uma noite das nossas vidas,
Para no final desaparecemos e irmos embora.
Cada um atrás dos seus sonhos por aí além,
Cada um com a sua filosofia, com o seu caminho.
E foi ai quando julgara estar a falar com alguém,
É que reparei que apenas, estava a falar sozinho...

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 10 de setembro de 2011

Arte Da Degradação

Diz ele - Ai ratinho, pequeno ratinho
O que seria de mim, meu caro amigo?
Se não tivesses aqui a brincar comigo,
Provavelmente ainda estaria sozinho.

Por isso bebe - Diz ele acariciando o rato...
Depois partilharemos este pedaço de pão
Não tenhas medo, bebe em paz meu irmão,
Pois não existe falcatruas, neste contracto.

O rato come e ele pergunta - estava saboroso?
E levantando-se, este respondeu - hi-hi, iefe-iefe!
Ai queres mais? Comei o resto então seu patife
Porque a tua companhia é o maior dos gozos!

O rato comeu o resto e depois foi-se embora...
Adeus ratinho. Dá comprimentos aos teus pais.
Disse ele e o rato foi-se, mas não voltou mais
Porque não havia mais pão, a partir de agora.

Enquanto o homem permaneceu no chão, nu
Em cima dos seus poemas, o seu ninho...
Onde passou os restantes dias débil e sozinho
À espera do paladar da morte, azedo e cru.

Olhando para o tecto cheio de humidade,
Como se trata-se de uma magnifica pintura.
Padecendo de uma forma tão opaca e escura,
Embora com um sorriso de luminosidade.

E assim cessou de existir tão debilitado,
Apesar de radiante sem qualquer mágoa.
Mesmo sem ter luz, gás ou mesmo água
Devido à pobreza com quem estava casado...

E mais tarde começou a cheirar tão mal,
Que isso atraiu os seus vizinhos, os roedores.
Que vieram prestar os seus últimos amores
Improvisando para ele, um humilde funeral.

"Vinde a mim e devorai o meu corpo
Quando se der a minha lamentada crux
Tal e qual no final, afirmou Cristo Jesus
Antes de ser traído, torturado e morto."

Mas não houve lágrimas nem mesmo dor,
Apenas um banquete que ele proporcionou.
Que por vários dias as criaturas alimentou,
Sendo aproveitado com respeito e clamor.

Até se dar o fim da sua grande celebração,
Deste homem que vivia a escrever poemas.
Que faleceu tranquilo, apesar dos problemas
Pois a sua maior arte, foi a sua degradação...

E assim coexistiu com ratos, os seus manos
E com os vermes que também conheceu...
Este homem! Em que me tornarei talvez eu
Num degradante futuro... Daqui a uns anos...

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Melhor Passa Deste Mundo

Tinha acordado depenado fora de mim,
Terrivelmente, muito antes da estimada hora.
Então abri o maço, mas não restava nada, enfim
E então disse p'ra mim - meu Deus o que farei agora?!

Procurei, mas não encontrei o vício em casa
E aí... Comecei totalmente a ressacar...
E agora o meu corpo parecia a faixa de gaza,
Pois contra a minha mente estava a lutar.

Senti-me ainda mais cansado, deveras débil e fraco,
Do que naquele momento, em que antes me deitara.
Então desesperado comecei a extrair todo o tabaco,
Daquelas beatas que no cinzeiro, outrora deixara.

E depois de reunir as réstias da minha desgraça,
Enterrei toda a minha decadência, no cachimbo.
Acendendo-o, enquanto puxava pela primeira passa,
Expirando de olhos fechados, entrando no limbo.

Não via nada, nem escutava som algum,
Estava completamente sem sentidos...
Com aquela passa que fumava em jejum,
Para silenciar todos os meus gemidos...

E quando abri estes olhos pachorrentos,
Para enfrentar o aborrecimento diurno.
À minha volta circulavam fios cinzentos,
E e aí senti paz na destruição, tal e qual Saturno

Inspira-me intensamente - Disse a Nicotina
E assim continuem nesse jeito profundo,
Até cair na cama na minha própria ruína
Desfrutando da melhor passa deste mundo.

Blackiezato Ravenspawn

O Príncipe Do Universo

Apesar de seres pequeno, já és um gigante
E és deveras mimado com um tremendo carinho.
E mesmo estando próximo, estás-lhes distante
Embora acompanhado, mas tão sozinho.

Sendo o portador da vida, como da morte
E de todos os segredos que desejas ver revelados.
Que contêm perfeitas criações, que imaginas à sorte,
A partir dos teus sonhos, mais encantados

Tu meu infante, embora já considerado ancião
Sábio talentoso, misterioso e controverso...
Por guardar a ordem e o caos no teu coração
Dando forma na tua mente, um universo.

Que carregas em pura harmonia nessa bela capa,
Negra, embrenhada com padrões mais brilhantes.
Pintados por ti, nesse teu suave tecido de napa,
Que conta as tuas histórias, mais exuberantes.

Que com o tempo ainda se irão desenrolar,
Em odisseias tão belas como as da tua irmã.
Mas agora meu príncipe. É tempo de descansar
E de dormir no colinho da tua mamã.

"Eu nunca entendi, nem mesmo creio no destino.
Mas caso este existir, é assim que nos imagino...
Dentro de uma orbe celestial de cristal pristino,
Entre as mãos delicadas, de um inocente menino."

"Porque pr'álem deste enigmático cosmos
Deverá existir outros mais...
Talvez uma família, talvez um mundo
Ou até talvez... Um cosmos de cosmos..."

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Despetelar (A Queda De Uma Rosa)

Com que então, querido Outono!
Sinta-se à vontade, sê bem-vindo!
Porque este Verão já me dava sono,
Apesar de ser tão quente e lindo.

Chegou demasiado cedo este ano,
Mas, receber-lhe é sempre um prazer.
Por isso contai-me tudo, ó soberano
Pois eu estou a morrer por saber...

Ah! E já pintou o céu de cinzento
Com a sua decoração favorita.
Talvez um pouco antes do tempo,
Mas não deixa de estar catita.

E assim instalas-te, belo e cordial
Com essa tua presença requintada.
Que apesar de já me ser habitual,
Deixa-me sempre embaraçada.

Causando-me esta sublime sensação,
De mistério, arrepio e de alegria.
Ao som do vendaval que traz a sua canção,
Matando a saudade com a nostalgia.

Enquanto me beijas levemente,
Suspirando, como se estivesse a recitar.
Para uma rosa deveras carente,
Que se comove, até despetalar.

Com esse seu charme tão adorável,
Encantador que faz-me imenso sorrir.
De uma forma deveras agradável,
Até não aguentar mais e assim cair.

Nas suas mãos elegantes e carinhosas,
Que me pousam suavemente no chão.
Realizando todos os meus desejos airosos,
Que eu guardei neste frágil coração.

Por isso vem a mim, gracioso zefir"
E levai-me convosco para o seu trono.
Pois consigo a volúpia desejo dividir,
Pela ultima vez, ó príncipe Outono!

"Folhas e pétalas caem sobre o solo,
Enquanto a rosa mostra a sua intimidade.
E agora o seu príncipe pega-lhe ao colo,
Carregando as réstia da sua vitalidade."

"E e assim que a rosa morre de amores,
Enquanto as chamas correm com o vento.
Anunciando a estação dos pensadores
Da queda, da memória e do esquecimento."

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 27 de agosto de 2011

Donzela De Cristal

Os meus corvos trazem-lhe prendas,
Tão engraçadas e tão reluzentes.
Que ela aceita todas as suas oferendas,
Algumas iguais, outras diferentes.

Pedras bicudas, pedras redondinhas,
De varias cores e de vários feitios,
Outras grandes, outras pequeninhas.
Mas a maior parte, são-lhe fastios.

E tu que me sorris do seu pedestal,
Mesmo de quem implora por um peito.
Como te achasses alguém de especial,
E como fosses de todo, algum eleito.

Mas não passas de diamante falsificado,
Que se diz puro, embora deveras banal.
Um pedaço de vidro que vai acabar quebrado,
Pela mão da Donzela de Cristal...

Porque ela odeia réplicas.

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Arlequina

Não te escondas, querida menina,
Porque eu consigo, bem te ver.
Por isso sai daí, ágil Arlequina...
Não tenhas medo de aparecer.

E assim vens tímida, vagorosa,
Mesmo de quem procura um amigo.
Então vinde a mim, ó habilidosa
Pois eu quero brincar contigo.

Eu prometo-te que não te deixo,
Como eu te juro, que não te minto.
Se me deixares tocar no teu queixo,
E ouvires tudo, o que eu sinto.

Aqui no seio da minha imaginação,
Aonde tu danças, somente para mim.
Enquanto me ofereces, a tua suave mão
Para que eu seja, o teu Arlequim.

E assim observamos este belo céu,
Enquanto me questionas, se eu gosto de ti
E retirando o teu engraçado chapéu,
Eu meto na minha cabeça, e digo que sim.

Ai Arquina, inocente Arlequina,
Mesmo a chorar, és tão bonita
Seduzindo-me, apesar de pequenina,
Com esse sorriso, deveras catita.

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Algo Em Comum?

Estamos ambos isolados com tralha em cima da mesa,
E por coincidência... Fumamos o mesmo tabaco de enrolar.
Como nenhum de nós, tem a absoluta certeza.
Como é que o dia de hoje, poderá terminar...

Como também estamos ambos de perna cruzada,
A rabiscar os nossos queridos e amados papéis.
Enquanto fingimos que não existe mais nada,
A não ser o nosso mundo, aonde somos réis...

Como também, temos ambos sandálias calçadas,
E também reparo, que temos maquinas iguais!
Como as nossas calças de ganga velhas e rasgadas
E os nossos olhos castanhos escuros, abismais!

E no final questiono-me - o que poderá acontecer agora?
Se eu meter conversa contigo, como faz qualquer um?
Mas quando estava prestes a falar. Tu foste-te embora,
Antes de ouvires as coisas. Que tínhamos, em comum...

E talvez existissem, ainda mais...

Blackiezato Ravenspawn

Não Me Interrompas (Por Favor)

Tinha os neurónios, já tão cansados
Que já não havia luz, na minha mente.
E os olhos exibiam-se meio-fechados
Que quase nada, já avistava à frente...

Pois estava a planar na irrealidade,
Dormindo com os olhos, entre-abertos.
Enquanto buscava aquela serenidade,
Com novos sentidos, agora despertos.

E quando estava prestes a lá chegar,
Ao arquipélago de toda a imaginação.
Já a fazer sinal para poder atracar,
A minha celeste e mágica embarcação.

Veio uma a empregada me interromper,
Com - Deseja algo mais, meu caro senhor?
E o que me apeteceu, mesmo lhe responder,
Foi - Não me interrompas, por favor...

Mas fui um insensível quando lhe neguei,
Talvez irritado com um pouco de mágoa.
E para me redimir, sorri e lhe perguntei,
- Pode me trazer, outro copo de água?

E ela trouxe... E eu voltei-lhe a agradecer.

Blackiezato Ravenspawn

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dominique

Não pares, Dominque...
Não me causes tal fado
Pois está escuro por estas bandas
Como sempre tem andado.
E logo agora que apareceste
Com a tua pequena luminosidade,
Quem tem crescido no outro lado do espaço
E que será conhecida na eternidade.
Não cessas de brilhar pequeno astro
Expande-te devagar com paciência,
Como tivesses todo tempo do cosmos
Para moldar a tua sapiência...

Por isso não pares, Dominique
Pois tu tens de continuar.
Porque és a única tocha acesa,
Que eu consigo aqui enxergar...
Não cesses agora por favor,
Pois o teu fogo deixou um caminho.
E eu não sei o que faria
Se desaparecesses e me deixasses sozinho.
E mesmo estando ambos isolados
Separados por cinco anos de luz,
O teu núcleo já arde intensamente
E um imenso brilho, já produz.

Por isso não pares, ó pequeno sol,
Não pares de construir o teu legado.
Porque nem imaginas o quanto essa faísca,
O quanto esta escuridão, tem iluminado.

Pois poderá continuar escuro por estas bandas
Mas agora, tem um ponto luminoso
Que pouco a pouco vai-se tornando maior.

Por isso não pares, Dominique...
Não pares por favor.
Mas se perderes a vontade...
Lembra-te que existe sempre uma estrela
Que te estende um laço de força
Através de um feixe de luz.
Nesta interminável escuridão.
E que apesar de estar distante
Ela tem te sempre, acompanhado...

Um dia vamos ser tão grandes
Que a nosso calor, vai nutrir universos
Através dos rastos de luz
Que nós deixamos, nos nossos versos.

Consegues me ver?
Eu penso que sim...

Blackiezato ravenspawn

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Poeta Patético

Eu considero-me um poeta pateta,
Que escreve apenas por escrever.
Sem objectivos e sem alguma meta,
Apenas com o intuito de me entreter.
Porque é como a minha poesia singela,
Se trata-se do corpo de uma mulher.
E eu representasse a mente dela,
Que escreve o que der e o que vier.
E assim juntos encenamos este papel,
Tão ridículo, e por vezes vergonhoso.
Enquanto escalamos a torre de babel,
Fazendo de conta, só no gozo...

Porque somos ambos muito miseráveis,
E a alma flagelada desta triste mulher.
Que cria tantos planos inimagináveis,
Por não saber no fundo, o que ela quer.
Esta mesma que se veste de vermelho,
Para iluminar a noite como uma brasa.
Mas que acaba petrificada, a olhar para o espelho
Por ter ter medo de sair de casa.
E também esta que tem de estar embriagada
Para conseguir falar de si,
Porque é tímida e sente-se rebaixada
E provavelmente, é uma aspie.

Porque quando dá por si sóbria,
Sucumbe ao seu habitual problema.
E assim treme de uma forma imprópria,
Quando deseja declamar um poema.
E apesar de acha-los deveras perfeitos,
Ela tende a ocultar as suas virtudes.
Mas ninguém sucede, só com defeitos
A não ser em péssimas atitudes...
Talvez ela precise de uma pequena ajuda,
Por possuir uma baixa auto-estima.
Ela quer falar, mas sente-se tão muda,
E é por isso que se expressa-se rimas.
Que quer ser alcançada e reconhecida,
Pelo seu grande talento e pelo seu amor.
Mas quando tenta, foge como uma foragida
Pois tem um grande medo, de se expor.
E é só depois da sua cobarde corrida,
Quando ela percebe, que voltou atrás.
Magoada, apesar de não estar ferida,
É que se questiona, porque não foi capaz.
Quando na verdade ela sabe que é boa
Após comparar-se com a maioria.
Mas mesmo assim, ainda não se acha uma pessoa,
Digna de mostrar a sua poesia.

E é devido a isso que passa os seus dias,
A olhar para imensidão do seu vazio.
Onde vive as suas restantes alegrias,
Calada e apática, sem dar um pio.
E ainda não anoiteceu e ela já quer dormir,
Tudo por sonhar na altura errada.
Porque a realidade ela não quer vir,
Por ter a sua mente tão ocupada.
Com fábulas e mil e uma histórias,
Que se desenrolam abaixo da sua pele preta.
Aonde ela guarda as suas várias memórias,
Com um papel e uma caneta.

Sozinha, algures em agonia.
Na sua prisão, em intimidade...
À espera que algum dia
Alguém lhe encontre de verdade.

Mas isso... É muito patético.

Blackiezato Ravenspawn

Príncipe Dos Insectos

Mosquitos nas minhas pernas
Moscas nos meus braços
Aranhas nos meus tectos
E traças nos restantes espaços

Caracóis no meu jardim
Abelhas nas minhas flores
Com larvas monocromáticas
E borboletas de várias cores

Uma lesma no meu muro
Uma joaninha na minha mão
Uma milípede encaracolada
E uma centopeia no chão

E já tentei-me livrar deles
Mas eles ainda persistem
Chamam-me príncipe dos insectos
E assim comigo, coexistem.

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Hienas

São a encarnação da hipocrisia
E de toda a sua personificação
Quando passam os seus dias
A olhar para o que não são

Sendo cobardes cadastrados
Como patifes orgulhosos
Que esperam os fragilizados
Como mirones, desejosos

Em grupos, nas suas matilhas
À espera de entrar em cena
Cheios de truques e armadilhas
Para capturar presas pequenas

Mas quando passa um leão
Mostram respeito e fingem
E só quando ele sai da acção
É que nas suas costas se riem.

Cautela, pois eles andam aí com os seus sorrisos amarelos.
Em várias cores, géneros e feitios.

Pecados Mortais: Inveja

Maldita gueixa, que grande megera!
Deveras terrível, pior que uma vilã
Que sabota todos, até a tua irmã
Devido a esse mal que em ti impera!

Secretamente, sempre calculista,
Em nome do ciúme e da tua cobiça.
Com essa cara laroca e tão castiça,
Que esconde uma bruxa terrorista.

Mais essas unhas de egoísmo,
Que deslizam por mim como uma serpente.
Prontas para envenenar a minha mente,
Com tal habilidade e tal cinismo.

És traidora, cobarde e mesquinha!
E assim planeavas de uma forma obscura.
Enquanto nos expias pelo buraco da fechadura
E a vias radiante, comigo sozinha.

Pois invejas o seu grande sucesso,
Apesar de seres o seu maior tesouro.
Mas mesmo assim desejas-lhe agouro,
Por esse coração por ódio possesso.

E então aproveitando a vossa semelhança,
Fizeste-te passar pela senhora avareza.
Embora tão mal disfarçada, que tristeza
Mas eu fí-lo por gosto, pois não cansa.

Tudo porque eu sou um sinistro cabrão,
E graças a tua astúcia, comi-vos ambas.
Ignorando as cabeças tal e qual gambas,
Como o "Mocho Cruel", faz com o camarão...

- Inveja o que vem a ser isto!
- Avareza?! Não é o que parece, deixa-me explicar!
Inveja?! *dissimulação*
- É isto que eu recebo depois de te sustentar sua cabra?!
- Não sejas assim irmã. Estas a magoar os meus sentimentos... *chorando*
- Cala-te sua CABRA!.. E tu seu porco vagabundo de merda! Como justificas isto?!
Eu? Eu não sei de nada! A culpa é dela!
- Seus grandessíssimos filhos da puta! Saiam daqui! Já!

Blackiezato Ravenspawn

Pecados Mortais: Ira

Tu não és mulher, és uma sobrenatural
Sedenta por sexo, deveras irritada.
Que divaga pela noite, tão desvairada
Controlada pelo seu instinto animal.

E assim acabaste por me caçar na rua,
Com esses olhos de jade, sanguinários.
Tal como fizeste com outros vários,
Debaixo do manto prateado da lua.

Pois quem é curioso, cai em armadilhas
E estúpido fui eu, em te provocar.
Porque julgava que te conseguia domar,
Com a minha mão, nas tuas virilhas.

Mas tu capturaste-me na tua hábil boca,
E arrastas-me para o teu negro covil.
Sempre bruta, como uma bárbara hostil,
Com a tenacidade de uma jovem loba.

Devorando-me sem tino, a sangue frio
Comendo o meu corpo quente, ainda vivo
Sem te importares com o preservativo
Até ficar com os depósitos vazios.

E apesar de ter lutado e resistido,
Enquanto rebolávamos pelo rijo chão
Queimando energias, até a exaustão.
Eu fui o primeiro a dar-me por vencido...

Mas só a ti é que dou todo o meu carinho,
Por isso continuo, com a maior veemência.
Porque se não saciar essa tua demência,
Aí tu fodes-me... O focinho...

...Apesar de ser o teu docinho.

-Eu vou fazer o teu pénis chorar de dor!

Ó Mulher! Olha as minhas GÓNADAS!!!

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 6 de agosto de 2011

Pecados Mortais: Orgulho

És uma rapariga magnífica que farta,
Com uma extrema fervorosa formosura.
Que enalteces essa tua grande postura,
Com um ego igual ao de toda a Esparta.

E as tuas mamas até podiam ser descaídas,
Que isso não afectava o teu nariz empinado.
Pois mulher como tu, vai a qualquer lado
Pela supremacia dessas mãos temidas.

E assim confundem-te com uma arrogante,
Só por lutares pelo o que achas teu.
Pois foi assim que a senhora aprendeu
A seguir o seu caminho, triunfante.

Enquanto me miras com um ar superior,
Como só precisasses de ti e de mais ninguém.
Pois quem possui o poder, tudo este tem
E assim manobra o prazer, como a dor

E é com o teu pé em cima do meu joelho,
Que eu engraxo as tuas gloriosas botas.
Com lambidelas servas e tão bem devotas,
Até ver o brilho delas, como um espelho.

Para subir na tua estimada consideração,
Sobre o domínio rígido do teu chicote.
Sempre obediente para não pregar calote,
Pois isso levaria a tua resignação.

Mas no final trato-te mal como entulho,
Quando cais sobre o meu corpo, conquistado.
E é exposta a mim, que eu inverto o resultado
Porque eu também, possuo um orgulho...

Mas eu faço de conta que não.
Porque ela não gosta de perder...

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ode À Raiva I - Eu Quero Sentir (A Ária da Dissonância)

Quando o ódio flui nas veias, sem um fim...
Quando a dor torna-se demais, para mim...
Quando não resta lágrima alguma, para derramar...
E quando se torna difícil, alguém, amar.

Quando cais e recusaste a te erguer...
Quando a única coisa que mais desejas, é morrer...
Quando a vida perde, total sentido...
E quando dás por ti, no vazio perdido.

E quando fechas os olhos ranges os dentes e apertas os dedos nas palmas da mão e gritas! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! Ode à raiva

Eu quero sentir!
Até o meu corpo partir!
Toca em mim!
Sem cessar e sem fim!

Mostra-me toda a tua arrogância!
Faz-me rebentar, faz-me gritar!
Pois eu quero escutar!
A Ária! Da dissonância!

Dissonância...
Ode à raiva!
Dissonância...
Ode à raiva!
Dissonância... Dissonância
Ode à raiva, ode à raiva!
Ode à raiva, Aaaaaaaaaaah!

Diiiii.... Soooo..... Nâaaaan
Cia... Cia... Cia... Cia...

Diiiii.... Soooo..... Nâaaaan
Dissonancia... Dissonancia...

Di...
So...
Nân...
Cia...

Diso... Nância...

Di... Di... Di...
Sonân...
Ci... A...


Di... Di... Di...
Sonância...
Di-so-nân-ci-a
Di-so-nân-ci-a

Di-so-nân-ci-di-so-nân-di-so-nân
Di-so-nân-di-so-nân-si-di-so-nân
Ci... A...

Ah... Ah... Ah... Ah... Ah... Ah...
Ah...

- Sim! Mais! Continua! Eu quero mais!

Mas a raiva já se foi...

Blackiezato Ravenspawn

Querida Poesia Minha

Ó querida poesia minha
Tu que susténs as minhas lágrimas,
Com a tua imensa compaixão
Minha amante tão devota.
Sempre pronta a acarinhar-me
Quando mais necessito,
Desse te conforto tão precioso
Com o teu toque tão maravilhoso.

Quando me seguras estas magoada mão,
Suavemente com tal firmeza
Que sem ti não teria a certeza
Do que seria este meu coração...

Como dos vários abraços tão sentidos
E dessa tua eterna disponibilidade
Que silencia todos os meus suspiros
Fazendo-me esquecer, a calamidade...

Porque estás sempre disposta a me ouvir
Quando estou cheio e tenho de me abrir
E é por isso que honro a tua companhia
Ó querida... Poesia minha.

Blackiezato Ravenspawn

Vingança Temporal

O tempo é doloroso, mas sapiente,
Então desfruta e bebe mais um trago.
Respira com calma, sê paciente
E vive o momento, como um chrono-mago.

Impérios dantes magnos e auspiciosos,
Dignos da mais suprema elevação.
Tornaram-se nos demais cemitérios tumultuosos,
De homens controversos que caíram ao chão.

Mas foi também nas ruínas do desespero,
Aonde toda a esperança, assim se perdeu.
Que além da morte e do seu enterro,
Que ouve sempre um, que se ergueu.

E foram homens que nasceram no fundo,
Chicoteados pelos desafios mais cruéis.
Que venceram e mudaram todo o mundo,
Morrendo como campeões e réis.

E é irónico ver como as pessoas mudam,
Como as tantas voltas que a vida dá.
Com as coisas que assim se transmutam,
Modificando tudo, o que existe cá.

E agora rio-me daquelas gajas bonitas,
Que dantes se gabavam de princesas.
Por terem crescido frustradas, nada catitas,
Agora desesperadas, cheias de incertezas.

Como daquelas várias coitadinhas,
Que todos antes, mandavam para a alheta.
Por terem florescido tão bonitinhas,
Tal e qual a metamorfose de uma borboleta.

E fico admirado por ver ex-cobardolas,
Agora novos triunfantes, a lutar na arena.
Como daqueles tristes, outrora artolas
Que agora representam em grande cena.

Pois nada se perde, tudo se transforma,
E assim esperamos pelos nossos destinos.
Mas a minha não quer, nem se conforma,
Porque eu sou poeta de versos pristinos.

E assim vejo o ciclo da vida
A girar em torno das quatro estações...
Assistindo ao abrir e ao sarar da ferida
provocada por sonhos e desilusões...

Até ao dia que Chronos come os seus filhos,
Para executar mais uma vingança temporal..
Mas aí eu sorrirei, onde se encontram todos os trilhos,
Pois eu não mudo, eu sou imortal...

E um dia, todos voltam à fonte do esquecimento,
Para serem futuramente reciclados...
Mas só os grandes é que passam a ponto do tempo,
E verão os seus actos, para sempre relembrados.

Porque o tempo é vida e a morte,
O passado, o presente e o futuro.
Por isso crê no momento e não na sorte,
Ou serás para sempre, um imaturo.

Blackiezato Ravenspawn

Olhos De Tédio

E é assim de tanto esperar por nada,
Que a barba cresce e a vontade decai.
A alma amolece, mas não está cansada,
Junto com o corpo que também cai.
Numa cadeira em grande aborrecimento,
Aonde não resta quase nada para eu fazer.
Neste café aonde passo o meu tempo,
Sem saber mesmo o que escrever.

E é no plano desta enfadonha visão,
Que veja passar uma jovem ucraniana.
Que me sorriu, embora não tenha feito questão
De a elogiar de uma forma quotidiana.
Passando com os seus cabelos dourados,
Mais os seus belos olhos azulados.
Mas não tenho emenda, que triste remédio,
Perdia-a por causa destes olhos de tédio.

Que não foram capazes de mostrar postura,
Por se acharem tímidos, embora perversos.
Não hesitando em guardar a sua figura,
Em simples tontos e ridículos versos...
E é passando deslumbrante, só de passagem
Que aqueces o meu clima, ó lorinha.
Neste deserto onde és uma miragem,
De um oásis cuja a água nunca será minha.

E assim enfrento este calor de verão,
Enquanto a caneta em vão peleja.
Para preencher este vazio no meu coração,
Com um fraco poema e uma cerveja.

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 30 de julho de 2011

Psicose Maniaco-Depressiva II

Há dias que perco a noção do real,
E das esquemáticas da minha vida.
Como fosse de todo, um doente mental,
Possuído por uma besta agressiva.
E é em cima de um elevado trapézio,
Que abana com a mínima emoção.
Que me torno louco como um génio,
Para não cair na resignação...

E é nesses voláteis momentos,
Que eu forço demasiado este motor.
Porque não controlo os meus pensamentos,
Nem temo mesmo a dor.
E assim olho para dentro de mim,
Pela retina de um caleidoscópio.
Mas não encontro algum fim,
Por girar incansavelmente, num giroscópio.

Mas acabo por ficar tão tonto,
Que mal consigo me orientar.
Tendendo a seguir o primeiro ponto,
Que a minha mente tiver para encontrar.
Caminhando além deveras cego,
Tal e qual fosse seduzido e puxado.
Por uy ilusória luz que eu enxergo
Como um insecto por esta, enfeitiçado...

Mas para quê se acabo tão sozinho?
A flutuar à deriva na minha imensidão...
Aonde não existe nenhum caminho,
Apenas mais frio e escuridão.
E quando não me resta nada, eu me cubro,
Enquanto vejo o meu mundo ruir.
Como vivesse num interminável Outubro,
Onde nenhuma flor conseguira fluir.

Mas mesmo assim ainda não percebo,
Quais são as razões destas magoas sentidas.
Será por habitar no meu degredo,
Rodeado de garrafas partidas?
Cada uma com o seu pequeno sonho,
Com os seus objectivos que eu segui
E que acabaram com um final medonho,
Porque foi eu que as parti...

Mas como não sei, então eu canto
Alto, embora sem voz quase mudo.
A saborear todo este meu pranto,
Sem nada, embora com um pouco de tudo.
Enquanto toco neste adorável piano,
Nas suas teclas de ébano e de marfim.
A canção de um homem confuso'insano
Que anda à perdido à procura de si.

Porque a minha vida é como um bar,
Aonde toda a alegria persiste.
Mas só depois deste fechar,
É que te apercebes como é triste.
E é deitado em cima de uma mesa,
Que eu espero pelo momento certo.
Mas cada vez tenho mais a certeza,
Que não vale a pena, tê-lo aberto.

Mas como sou curioso, então procuro,
Alcançar a minha tranquilidade.
Entre o leve e o mais duro,
No eixo de toda a neutralidade.
Aonde me expresso em ridículo,
Da maneira que mais me cativa.
Repetindo mais uma vez este ciclo,
Da psicose maníaco-depressiva...

Blackieato Ravenspawn