domingo, 9 de outubro de 2016

Livro de Reclamações Mental (Uma Súcubo Mal Encarnada)

O quê qu'Eu vou dizer
Aos meus sentimentos
Quando estiver dentro de ti
E não encontrar nada?

O quê qu'Eu vou fazer
E qual será o argumento
Que usarás pr'a me prender aqui
No interior desta fachada?

O quê qu'eu vou ver
Além de um mero passatempo
Que tenta aproveitar-se de mim
Oh, Súcubo mal encarnada?

Tu és um portal que não me leva a lado algum
Tu, mais esses enredos teus
Eu entrei pela tua cona e saí pelo teu cu
E nem sequer te disse adeus

Eu até posso submeter a este mundo
Eu até posso indulgir-me no teu rancor
Mas, não é por estar num sonho profundo
Qu'Eu vou brincar com o amor

Tu até podes ser uma réplica gira
Flor bonita que não murcha no outono
Mas, Eu não creio nessas mentiras
Por isso, vinde lá, paralisia de sono

*

"Enquanto um homem jaz de bariga para cima
Trancado no pesadelo que ele mesmo criou
As mãos do abismo dedilham o prisma
Onde a luz, outrora brilhou
Mas, o homem não teme o vazio
Nem mesmo pede por auxílio
O homem queixa-se desapontado à escuridão"
- Ai, ai, ai. Que falta d'imaginação

*

O meu subconsciente diz que não se responsabiliza
O meu alter ego teimoso, também não assume, Nega!
E na minha parva indignação, Eu escrevo uma missiva
Mas, a carta não chega a lado algum e dá-se a quebra

- Quebra do quê?

Do sonho.

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

RAVE (Confronto D'Almas / Sangue Na Pista De Dança)


As arenas viram santuários
Os escravos viram estrelas
As caves tornam-se obituários
E os demónios saem das celas

O povo grita possesso e  histérico
Emerso na adrenalina de combate
E o anfitrião inicia o espectáculo épico
- Gladiadores ide para o abate!

Os espectadores exigem o confronto
Pois no ringue não existe misericórdia
A plateia não quer saber s'estas pronto
Nem quem Tu és, nem da tua história

Os tambores de guerra começam a rugir
E ansiedade faz o teu corpo vibrar
Tu és o cobarde que vai tentar fugir
Ou és o bravo que vai logo dançar?

S'eu te dissesse que ias desaparecer
Ias contente, ou ias pedir desforra?
É que eventualmente um dia vais morrer
Mas, se morreres hoje, morre com honra

Por isso, dança! Empurra! Chuta
Odeia-me! Como Eu te odeio!
Ataca-me! mata-me! Luta!
Antes qu'Eu te corte ao meio!

*

Os glowsticks viram gladíos
Sedentas para eviscerar o adversário
O caos toma conta do estádio
E o sangue flui pelas ondas de rádio

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Deixa-Me Coser O Teu Coração

O colapso do chão é duro
As vezes deixa fissuras
Quando o destino torna-se cru
E a vida numa tortura

Pelas feridas do teu coração
Eu vejo uma alma que sofre
Que grita em tom de perdição
Embora, ninguem lhe ouve

Pelo reflexo dos teus olhos
Eu revejo-me no passado
Na penumbra, ausente de luz
Murcho, completamente baço

E os ecos do silêncio tocam em mim
Com uma angustiante vibração
Eu não te quero ver mais assim
Por isso deixa-me cozer o teu coração

Deixa-me retirar a trágica agulha
Que te espetaram no meio da carne
Enquanto tu fechas os olhos e mergulhas
Nesse líquido que escorre e arde

Deixa-me usar a ténue linha
Que tu usas para separar
O que te repugna, o que te fascina
E o que tu não sabes categorizar

Eu não quero nada em troca
Não existe esquema sombrio
É que o Outono está a porta
E Eu não quero que passes frio

Não fiques nessa perdição
Esquece o que te aconteceu
Deixa-me coser o teu coração
Como a música coseu o meu

Blackiezato Ravenspawn

Companheira De Caça

Nem sabes o quanto preciso
De uma companheira de caça
Para ter sempre ao meu flanco
E encher-me com a sua graça

Pois caçar sozinho é exaustivo
Quando não partilhas o mesmo trilho
Com outro caçador furtivo
E tens de ter sempre o dedo no gatilho

Quando a noite cai, densa e escura
E os predadores andam à mostra
E tu não tens quem te acuda
Nem quem te cubra as costas

Quando olhas para o céu e está vazio
E nele não brilha nenhuma estrela
E o velho que vendia cães, sorriu
- Não, Tu precisas é d'uma cadela

Blackiezato Ravenspawn

Depressão Sazonal (Flores De Cristal)

O Sol Dourado perde a intensidade
As nuvens cinzentas cobrem o horizonte
O meu corpo enche-se d'humidade
E a minh'alma ao frio se esconde

O meu cabelo como uma flor, murcha e cai
Com o peso divino da chuva,
E numa busca de atrair a luz que se esvai
Perde a cor e fica escura

É o regresso da depressão sazonal
Que de novo me volta visitar
Sempre envolta no seu manto glacial
Dá a volta ao mundo para nos alertar

- Que para existir criação, tem de haver morte
- É o ciclo da vida, a lei do céu e da terra
Mas, Eu não me ralo, pois a semente é forte
E brotará outra vez, na primavera

E é enchendo-me de nostalgia que sucumbo ao sono
E é sobre a mão dos elementos qu'Eu hiberno
Acabando a sonambular como um morto-vivo no outono
Até morrer mais tarde nos portões do inverno

- Porque para existir criação tem de haver morte
- É o ciclo da vida, a lei do céu e da terra
Mas, Eu não me ralo, pois a semente é forte
E brotará outra vez, na primavera

Porque todas as flores de cristal
Filhas do vento-frio e da água
São congeladas pelo toque invernal
Para morrerem, mas, não sentirem mágoa

Porque todas as flores de cristal
Que no inverno se atreveram a nascer
São expostas à depressão sazonal
Até ao dia que o gelo começar a derreter

Blackiezato Ravenspawn