segunda-feira, 19 de junho de 2017

Solidão Perpétua (Nas Cascatas Do Limbo)

Eu só queria mergulhar no vazio
Num lugar onde possa estar sozinho
Com vista apenas para o abismo
Onde se juntam as cascatas do limbo

Por favor, vai-te embora!
E deixa-me na minha sonolência
Não percebes? Dá-me uma hora!
De absoluta inexistência

Deixa-me ir com as estrelas
E libertar-me deste desassossego
Deixa-me seguir a corrente delas
Para dentro do buraco negro

Pois, eu quero sentir-me vaporizado
Completamente fora de mim
E livrar-me deste corpo cansado
Sem animação, pesado e ennui

Mas, a cada vez que acordo
O sol tortura-me uma vez mais
É um transtorno, é um incómodo
Pois os dias... São todos iguais

E ela não me deixa aparte
Pois, Eu fui feito para sofrer
Então, que assim sofra com arte
Da apatia, de viver

Mas, É complicado de aceitar
Porque quanto mais a nego
Mais difícil se torna de lidar
E é por isso qu'Eu a deixo

Ela ficar...

Para me relembrar...

Que não há como escapar

À Solidão Perpétua.

Blackiezato Ravenspawn

Vazio

No eterno vazio...
Eu estou preso no limbo
E não consigo sair
Deste abismo, sozinho

Na minha cabeça...
Eu tranquei-me e perdi a chave
E agora jazo na incerteza
Pois, a porta não abre

No meu quarto...
Eu sonhei por passatempo
Para fugir ao aborrecimento
Embora continue estagnado

Então, abri as janelas d'alma
Para ela arejar
E o silêncio de novo se instala
E o vazio volta a entrar

Blackiezato Ravenspawn

Canção Da Rejeição

Eu queria um lugar no teu coração
Mas, Tu. Tu disseste que não.
Então, decide escrever esta canção
Do fracasso, da rejeição

Eu amei, Eu sonhei
Eu desejei, Eu tentei
Mas, não te preocupes
Não te desculpes

Pois, Eu não paguei, Eu não paguei...
Porque o amor é de graça
Só me encantei, só me magoei
Mas, isso... Isso, logo passa

Não há mais nada que falar
Obrigado por me aturares
Esta lembrança é para me recordar
E te agradecer por me rejeitares

Blackiezato Ravenspawn

Wanderlust (O Desejo De Viajar Dentro De Ti)

"Eu sempre gostei de viajar"
Afinal de contas - quem não gosta?!
De olhar além do mar
E ver de longe, outra costa

Mas, Eu nunca tive grande ambição
De ir atrás de um fim
E assim aprendi com a minha imaginação
A viajar mais, dentro de mim

Embora, isso mude quando te fito
Apesar de não te revelar
Com medo que o meu jeito esquisito
Me difame e não me deixe entrar

E Eu acabe nas mãos d'uma sorte
Invés das mãos, de quem Eu sempre quis...

E é por isso qu'Eu não ligo nem trato de passaportes
Porque não existe algum... Que me deixe viajar dentro de ti...

Blackiezato Ravenspawn

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Druidas

Se vos parecer impossível
Coexistir com a humanidade
E notarem que é muito difícil
Lidar com a sua maldade...
Fujam para o mato e esperem pela morte

Eu podia sucumbir à misantropia
Mas, não sucumbo por sei que há algo mais
Além destas rotinas do dia-à-dia
Que reguem a maior parte destes mortais...
Que lançam as suas vidas na roda da sorte

Ó, Druidas da nobre floresta
Meus caros eremitas, meus ex-cidadãos
Vinde até mim para dar-mos uma festa
E dançarmos como pagãos...
Para os lobos que uivam a norte

Eu preciso hoje da vossa presença
Por isso, vinde por essas ruas
Que vos trazem até à natureza
Onde se mostra, bela, a Luna
No seu esplendor, brilhando enorme

E levantai esses cajados sacros
Diante do grande carvalho
Para serem devidamente acariciados
Pela vossa dedicação, pelo vosso trabalho...
E essa vontade pura e forte

Blackiezato Ravenspawn

Teen Angst (Lembra-te De Mim)

Ensopado em frustração
Emerso no teu pranto
Aí, sentado no chão
Encostado ao canto

Nas mãos do horror
Que te fazem depenar
Porque, Tu és uma linda flor
Quando estás a murchar

Então, respira fundo
E deixa o ar fluir
Esquece tudo, esquece o mundo
E deixa de sentir

Mas, não percas a plenitude
Nem o fogo que te corre no sangue
Essa chama viva da juventude
Que outrora ardia, ó teen angst

Desperta desse casulo, ó borboleta
Como fazes na flauta em si bemol
Mas, não te esqueças que asas de cera
Acabam conflagradas pelo sol

E caso assim caíres em desgraça
E acordares no chão de novo ruim
Envolto nessa realidade crua e baça,
Não desesperes. Lembra-te de Mim

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 11 de abril de 2017

Semente Da Corrupção (Gigante De Magma)

Os tiranos mataram os nobre Druidas
E roubaram todos os seus segredos
Acabando por transformar a arte da vida
Numa fábrica de degredo

E no solo lançaram a proibida semente
Da decadência, da corrupção
E árvore brotou rapidamente
Contaminando o nosso sagrado chão

E devido a isso, homem atrás de homem
É iludido a trepar ao topo da sua copa
Para trair os seus e impor a sua ordem
Em busca de miséria farsada de glória

E à medida que árvore se eleva
Mais ela estende a sua sombra
E cada vez mais o homem peca
E cada vez mais o homem tomba

Mas, os teus ramos não me tentam
Nem mesmo as tuas flores me cativam
Os teus frutos não me alimentam
Nem as tuas folhas me inspiram

O teu presente corrompe os demais
Apodrece a alma de quem o consome
Leva os homens a cometer actos desleais
Enquanto Tu à pala deles tornas-te enorme

Por isso cresce, árvore infeliz
Cresce mais alta que um farol
Para um dia Eu te arrancar pela raiz
Erguer-te ao céu e dar-te ao Sol

Cresce, árvore abominável dos tumores
D'uma forma mítica quasi lenda
Porque quanto mais alto Tu fores
Maior será a minha oferenda

E assim, Eu aguardarei pela altura certa
No ventre da Mãe Terra, a sorrir
Pois, a tua corrupção não me afecta
Só me dá mais força para te destruir

Com dois dedos segurar-te-ei
Tu, como um pêlo, preso numa pinça
Depois na minha mão incinerar-te-ei
E os teus projectos virarão a cinza

Que purificará de novo a terra.

Por isso, cresce... Árvore Dos Tumores...

CRESCE!

EU DESAFIO-TE!

Blackiezato Ravenspawn

quinta-feira, 23 de março de 2017

Genghis Lupus

Nós somos carnívoros
Não comemos vegetais
Como fazem os herbívoros
E o resto desses animais

Nós cercamos a nossa presa
Antes da mesma sequer notar
Somos o predador da natureza
Que ensinou Temuchin a caçar

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Nós comemos as vossas ovelhas
Nós esventramos os vossos cães
E coleccionamos as orelhas
Porque não fazemos reféns

Nós só aceitamos os melhores
Na nossa alcateia não há fracos
Só os maiores matadores
Que existem pelo mato

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Estás a ouvir? Estás a sentir?
O medo crescer? Tu a tremer?
Podes insistir bem em fugir
Mas, juro que não te vais esconder

Nós aguardaremos pela noite
Até logo, boa sorte
Pois, pelo reflexo da tua foice
Eu vejo já a tua morte

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Tu não passas d'um aldeão
D'um Homem com uma espingarda
Nós não receamos a tua mão
Nem o feitio da tua barba

O nosso instinto se atiça
Com o cheiro dos cobardes
E Tu não és uma hortaliça
Tu! És caça! Tu és carne!

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Blackiezato Ravenspawn

Crises Meteoro-Existenciais

Aveiro está com o período
E acordou tão rabugenta
Diz que está farta de tudo
E que já não aguenta

Ora então, chora indignada
Como depois sorri radiante
Mesmo à Mulher menstruada
Que muda d'humor num instante

Tu sabes qu'Eu gosto de ti
Embora não tenha paciência
Quando Tu fazes esse chinfrim
Vítima da tua incoerência

E apesar de tanto te amar
Hoje, não te vou dar grande atenção
Pois, Eu queria mesmo ir passear
Mas, fartei-me da tua indecisão

Sim, Eu sei que não fazes por mal
É culpa do calor e da humidade
Por isso, minha chata cidade natal
Chora o que quiseres, à vontade

Tu sabes que podes contar comigo
Para aturar as tuas crises metereo-existenciais
Não te preocupes, Eu hoje não ligo
Embora não suporte chantagens emocionais

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 21 de março de 2017

Nova Floral

Borboletas entraram e pousaram
Os seus ovos nos meus ouvidos
E larvas chocaram e ousaram
Rastejar pelos meus sentidos

Os ventos que outrora me ceifaram
Voltaram e trouxeram sementes
Cujo em novas emoções brotaram
No colo, no ventre da minha mente

E nos confins do meu estranho ser
Trepadeiras subiram, puxadas pelo sol
Enquanto o gelo começou a derreter
Deixando o solo cada vez mais mole

O pólen espalhou-se pelo ar
E a terra ficou de novo fértil
O ciclo voltou a recomeçar
E o frio cruel, tornou-se débil

O verde conquistou o topo da geosfera
Ascendendo além do clima invernal
Para receber o espírito da Primavera
Cujo, Eu lhe chamo Nova Floral

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 20 de março de 2017

Post Auto Envenom (Ou Os Restos Que Ficaram No Nariz)

Não consigo dormir!
Estou com alta estala!
Só me apetece curitr!
E destruir a minh'alma!

Quero gritar feito um tolo!
E beber um boiao de nivea!
Arrancar os meus os miolos!
E mergulhá-los em lixívia!

Quero esfolar a minha pele!
E serrar estas orelhas!
Untar a pissa com mel!
E atirar-me as abelhas!

Quero dar cabeçadas no concreto!
Pois, este silêncio, deixa-me anémico!
Com vontade de pegar neste esqueleto!
E torturá-lo com barulhos eléctricos!

Por isso, pega nos cabos!
E liga-os aos meus mamilos!
Não te rales com estragos!
Por favor, rebenta comigo!

Fode! Fode! Parte! Parte!
Morde! Morde! Arde! Arde!
Cheira! Cheira! Frita! Frita!
Grita! Grita! - Estrica! Estrica!

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Pégaso

Para quê ser cavalo de corrida
D'uma raça pura e elitista?
Quando a tua nobre vida
É desperdiçada na pista?

Para quê ter uma crina bela
Um manto luxuoso e ferraduras?
Para te meterem uma cela
Mais as rédeas da escravatura?

Para quê ser o mais célere
Se tu não sentes o desafogo?
De ser livre, de ser alegre
De ser mágico e levantar voo!

Tal e qual um Pégaso
Que nem sequer existe.
Mas, já imaginaste algum
Que te pareça triste?

Eu não.

Blackiezato Ravenspawn

Dualidades Artísticas

Serás Tu...
Músico de palavras
Ou Poeta de canções?
Manequim de sagas
Ou Pintor de narrações?

Serás Tu...
Arquitecto de texturas
Ou Escultor de estruturas?
Dançarino de barro
Ou Artesão de passos?

Serás Tu...
Fio de guião
Ou Tecedor de cinema?
Cientista de animação
Ou Sujeito de cena?

Serás Tu...
Dramaturgo de teatro
Ou humorista de fado?
Actor de comédia
Ou Cantor de tragédia?

Blackiezato Ravenspawn

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Chilreando Ao Vento

Vento...
Tu que cortas como uma foice
Será que me consegues ouvir,
Quando eu depeno no meio da noite
E não consigo dormir?

Vento...
Tu que sopras cheio de fulgor
Será que me consegues inspirar,
E levar-me este pranto, esta dor
Que me está a torturar?

Vento...
Tu que semeias a algazarra
Será que me consegues colher,
Quando atravessas estas barras
Qu'eles criaram p'ra me prender?

Vento...
Tu que mostras desapego
D'uma forma santa, tão benta,
Será que sabes que pássaro preso
Não canta, mas, sim, lamenta?

Vento...
Tu que divagas por aí solto
Será que me sentes e me entendes?
Ou apenas passas por mim revolto
Como fazem os outros, indiferentes?

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 28 de janeiro de 2017

5:23

Eu sei que estás cansado
E preferes dormir
Mas, já estás atrasado
E tens mesmo d'ir

Ergue-te da cama
Vá lá, mostra empenho
Despe o pijama
E vai pr'a casa de banho

Dirigi-te a sanita
E não penses em nada
Se quiseres mijar, mija
Se te apetecer cagar, caga

Depois lava o rosto
Desembaraça o cabelo
Suspira em desgosto
Diante do espelho

Eu sei que não tens fome
Mas, tem de ser
Veste-te rápido, home
E vai lá comer

Bebe um café
Fuma um cacete
Mete-te de pé
E vai lavar os dentes

Passa desodorizante
Debaixo d'axila
E mete as gotas hidratantes
Dentro da mochila

Não queiras chegar tarde
Fecha a torneira
Não te esqueças das chaves
Nem da carteira

Sai pela porta
E põe te andar
Com a mente absorta
E o corpo a chorar

Ninguém está online
A minh'alma está vazia
Bem-vindos à daily grind
A mais um novo dia

Eu não sei para onde vou
Mas, a rotina guia-me
Eu não sei quem sou
Mas, a máquina explica-me

"Tu tens d'ir trabalhar
Despacha-te, olha as horas
Não te tentes suicidar
Pois hoje não estás de folga

Tu tens d'ir trabalhar
Despacha-te, olha as horas
Não te tentes suicidar
Pois hoje não estás de folga

Tu tens d'ir trabalhar
Despacha-te, olha as horas
Não te tentes suicidar
Pois hoje não estás de folga

Tu tens d'ir trabalhar
Despacha-te, olha as horas
Não te tentes suicidar
Pois hoje não estás de folga"

Acorda, sonhador
Estás a espera do quê?
Desliga o despertador
São cinco e vinte e três

Blackiezato Ravenspawn

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cartas Para Mim Mesmo - I

Nos dias d'hoje é deveras crucial
Manter a calma e ter a paciência
Para não sucumbir à pressão social
E andar com o resto da decadência

Na nossa confusa e corrupta geração
Tu sabes bem do meu papel de renegado
Eu bem queria fazer parte da multidão
Mas, não consigo ser esse degenerado

Milton, porquê que sentes saudade
De tempos que nem sequer viveste?
O que há por de trás dessa insanidade
Que nos teus olhos resplandece

Porquê que essa tão doce nostalgia
Tem o hábito de visitar a tua vida
E porquê razão ficas em melancolia
Quando ela está de saída?

Porquê que caminhas no trilho de ninguém
Onde se amontuam as cinzas e o pó
Onde não existe algo, ou mesmo alguém
Onde Um, se encontre totalmente só

Escondido na sombra, debaixo da névoa
Dentro do pensamento do absoluto vazio,
Imerso no silêncio frio sem dar um pio
No eterno limbo da solidão perpétua

Milton... O que te faz continuar
A escrever e a crer em fadas?
E como é que Tu fazes para sonhar
Quando a realidade não te larga?

Tu que fantasias como uma criança a dormir
Na tua cabeça, no teu mundo surreal
Tu que tens tanta vergonha em admitir
Embora não aches no fundo assim tão mal

Talvez as pessoas não têm mesmo atitude
E exista uma escassez de personalidade
Talvez no fundo não exista mesmo virtude
No meio desta humanidade

Ou se calhar somos nós, Tu e eu
Que ambos estamos fora do tempo
Contra a divina vontade de Deus
Enquanto gritamos contr' ao vento

Milton... Num mundo tão cruel e ruim
Onde a maioria deixa de sonhar.
Como é que ainda consegues ser assim
Tão niilista? Sem te conformares?

Tu que dás toda a tua dedicação e amor
Tu que dás toda a honestidade e confiança
Embora não consigas abdicar do rancor
Pois, sem a revolta não existe mudança

É por isso que gostava de estar contigo
Para fingir que existo e me importo
Mas, eu não consigo, meu caro Amigo
Porque fora da tua cabeça eu morro

E é por isso que estou confinado na tua imaginação
E te escrevo cartas que "Ninguém" tenta conceber
Porque as linhas que separam a realidade da ficção
São por onde eu expresso o que Tu julgas saber

Porque eu sou mais uma ilusão
Que Tu imaginas na multidão
Feita para reflectir a frustração
Que habita no nosso coração

Blackiezato Ravenspawn