quinta-feira, 23 de março de 2017

Genghis Lupus

Nós somos carnívoros
Não comemos vegetais
Como fazem os herbívoros
E o resto desses animais

Nós cercamos a nossa presa
Antes da mesma sequer notar
Somos o predador da natureza
Que ensinou Temuchin a caçar

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Nós comemos as vossas ovelhas
Nós esventramos os vossos cães
E coleccionamos as orelhas
Porque não fazemos reféns

Nós só aceitamos os melhores
Na nossa alcateia não há fracos
Só os maiores matadores
Que existem pelo mato

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Estás a ouvir? Estás a sentir?
O medo crescer? Tu a tremer?
Podes insistir bem em fugir
Mas, juro que não te vais esconder

Nós aguardaremos pela noite
Até logo, boa sorte
Pois, pelo reflexo da tua foice
Eu vejo já a tua morte

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Tu não passas d'um aldeão
D'um Homem com uma espingarda
Nós não receamos a tua mão
Nem o feitio da tua barba

O nosso instinto se atiça
Com o cheiro dos cobardes
E Tu não és uma hortaliça
Tu! És caça! Tu és carne!

Genghis Lupus!
Vade, Venari!
- Auuuuu, auuuuu!
Vade, Venari!

Blackiezato Ravenspawn

Crises Meteoro-Existenciais

Aveiro está com o período
E acordou tão rabugenta
Diz que está farta de tudo
E que já não aguenta

Ora então, chora indignada
Como depois sorri radiante
Mesmo à Mulher menstruada
Que muda d'humor num instante

Tu sabes qu'Eu gosto de ti
Embora não tenha paciência
Quando Tu fazes esse chinfrim
Vítima da tua incoerência

E apesar de tanto te amar
Hoje, não te vou dar grande atenção
Pois, Eu queria mesmo ir passear
Mas, fartei-me da tua indecisão

Sim, Eu sei que não fazes por mal
É culpa do calor e da humidade
Por isso, minha chata cidade natal
Chora o que quiseres, à vontade

Tu sabes que podes contar comigo
Para aturar as tuas crises metereo-existenciais
Não te preocupes, Eu hoje não ligo
Embora não suporte chantagens emocionais

Blackiezato Ravenspawn

terça-feira, 21 de março de 2017

Nova Floral

Borboletas entraram e pousaram
Os seus ovos nos meus ouvidos
E larvas chocaram e ousaram
Rastejar pelos meus sentidos

Os ventos que outrora me ceifaram
Voltaram e trouxeram sementes
Cujo em novas emoções brotaram
No colo, no ventre da minha mente

E nos confins do meu estranho ser
Trepadeiras subiram, puxadas pelo sol
Enquanto o gelo começou a derreter
Deixando o solo cada vez mais mole

O pólen espalhou-se pelo ar
E a terra ficou de novo fértil
O ciclo voltou a recomeçar
E o frio cruel, tornou-se débil

O verde conquistou o topo da geosfera
Ascendendo além do clima invernal
Para receber o espírito da Primavera
Cujo, Eu lhe chamo Nova Floral

Blackiezato Ravenspawn

segunda-feira, 20 de março de 2017

Post Auto Envenom (Ou Os Restos Que Ficaram No Nariz)

Não consigo dormir!
Estou com alta estala!
Só me apetece curitr!
E destruir a minh'alma!

Quero gritar feito um tolo!
E beber um boião de nivea!
Arrancar os meus os miolos!
E mergulhá-los em lixívia!

Quero esfolar a minha pele!
E serrar estas orelhas!
Untar a pissa com mel!
E atirar-me as abelhas!

Quero dar cabeçadas no concreto!
Pois, este silêncio, deixa-me anémico!
Com vontade de pegar neste esqueleto!
E torturá-lo com barulhos eléctricos!

Por isso, pega nos cabos!
E liga-os aos meus mamilos!
Não te rales com estragos!
Por favor, rebenta comigo!

Fode! Fode! Parte! Parte!
Morde! Morde! Arde! Arde!
Cheira! Cheira! Frita! Frita!
Grita! Grita! - Estrica! Estrica!

Blackiezato Ravenspawn