sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Sombra Da Dúvida (A Criadora De Enigmas)

Ela é a sombra da dúvida
Aquela persistente questão
- Serei Eu uma alma lúcida?
Ou vítima da sua confusão

Dela que me leva na sua mão
Delicada, com grande astúcia
E faz do meu corpo, um peão
A dançar ao redor da sua angústia

Eu vou enloquecendo só de girar
Mas, deixo-me ir, não quero parar
E de sair fora deste carrossel

Embora, Eu tenha receio de cair,
Ou colidir com algo e jamais sentir
A sensação de ter um cordel

*

Carinhosamente atado ao meu corpo
Às mãos d'um Deus mesquinho
Que por ironia me lança torto
À mercê do meu trágico destino

Sim, sim! Eu quero esse fado!
Esse de me erodir pelo tempo
Rodar tanto até ficar gasto
E só sobrar um filamento

Não quero ser como esses - "outros"
Que são preservados na boutique
Aqueles que envelhecem aos "poucos"
Por serem considerados a "elite"

Que a sombra da dúvida a minha venha
E que me enrole na sua eterna agonia
Ela que surja e traga a sua maior manha
Uma que me faça rodar além da entropia